O sonho de viver em uma vila paulistana levou um casal triatleta a transformar um estreito terreno de 4×18 m em um refúgio contemporâneo. Buscavam uma casa acolhedora, com linguagem industrial, presença da natureza e espaço para receber, além de integrar suas cinco bicicletas. O desafio foi assumido pelo escritório RUA 141 Arquitetura, que desenvolveu uma solução inesperada e cheia de frescor para a vida urbana. Veja o projeto a seguir.
Conheça a especialista
Andressa Oliveira é arquiteta e urbanista especialista no cultivo de plantas em casa e com experiência em projetos arquitetônicos e de interiores.
Um projeto que transforma limites em possibilidades
Em meio ao adensamento crescente das cidades, terrenos estreitos como o de 4×18 metros tornam-se cada vez mais comuns, e representam desafios relevantes de iluminação, ventilação e distribuição espacial. Após avaliar a antiga construção, a equipe da RUA 141 Arquitetura optou pela demolição total, preservando apenas as paredes laterais estruturais de tijolinhos, que fazem divisa com os vizinhos. A partir daí, o novo projeto buscou atender a desejos muito claros dos moradores: uma casa luminosa, integrada à natureza, com estética industrial, ambientes fluidos para receber amigos e espaço de destaque para as cinco bicicletas do casal.
Três pavimentos conectados
Com área construída de 135 m² e obra realizada em um ano e meio, a casa se organiza em três níveis: térreo, pavimento superior e terraço. A solução estrutural em metal permitiu distribuir a construção em dois blocos conectados por passarelas, estratégia que amplia visualmente os espaços e garante a entrada de luz natural por diversas direções. Assim, mesmo em um lote estreito, a casa respira.
O jardim de inverno como coração da casa
No centro da composição, um jardim interno com uma árvore de araçá funciona como eixo visual térmico, trazendo ventilação natural e frescor para todos os ambientes. As passarelas metálicas revelam essa área verde por diferentes perspectivas, reforçando o vínculo entre interior e exterior e garantindo que a natureza esteja sempre presente no cotidiano dos moradores.
A remoção da antiga escada de concreto, que era volumosa e centralizada, abriu espaço para um térreo totalmente integrado. Living, jantar, cozinha e jardim se conectam sem barreiras, favorecendo a convivência e a circulação da luz. A estante de concreto projetada pelo escritório organiza toda a área: começa como banco no estar, recebe prateleiras metálicas, cria o nicho para duas bicicletas e finaliza como apoio para a cozinha. O resultado é um ambiente fluido, funcional e surpreendentemente amplo.
Estilo industrial com aconchego
A linguagem industrial aparece por toda a casa, com estruturas metálicas pretas, trilhos de iluminação aparente, paredes com tijolinhos descascados e cimento queimado como revestimento. Para equilibrar essa força visual, entram o uso da madeira no piso e os caixilhos em freijó, que aquecem os ambientes e reforçam a sensação de casa acolhedora, exatamente como o casal desejava.
Cozinha funcional e com personalidade
A cozinha segue a mesma lógica da área social: funcionalidade aliada à expressão material. Os armários em tom de verde suave, com ripas verticais, dialogam com o cimento queimado da parede de fundo e com os armários superiores em madeira, reforçando o equilíbrio entre o industrial e o acolhedor. O piso de madeira em espinha de peixe se mantém contínuo, conectando visualmente todos os usos e conduzindo o olhar até o jardim, que aparece como extensão natural da área social.
Circulação no pavimento superior
A escada metálica em chapa dobrada, traz um visual leve e permeável. Além disso, garante acesso ao pavimento superior, onde fica a área íntima. Embaixo da escada foi criado um bar especialmente para receber os amigos, atendendo a um dos pedidos do casal. O corredor superior, iluminado por aberturas zenitais, conecta a suíte máster ao quarto e ao banheiro infantil, garantindo ventilação e uma claridade suave ao longo do dia.
Suíte master: industrial e delicado
Localizada na fachada principal, a suíte conta com uma ampla janela de correr que ilumina de forma generosa o ambiente. No banheiro, o uso de ladrilho hidráulico rosa, combinado ao cimento queimado, traz o estilo industrial ao espaço, sem perder a delicadeza. A iluminação zenital completa o ambiente com luz natural filtrada, criando uma atmosfera leve
Quarto do bebê: um espaço para o crescimento
Voltado para o jardim, o quarto da filha recebe luz suave filtrada pelas venezianas ripadas. A vista para o jardim de inverno, surge como extensão natural das janelas, reforçando a sensação de refúgio no meio da cidade. O ambiente foi pensado para crescer com a criança e receber mudanças suaves em cada etapa.
Terraço: o oásis do terceiro pavimento
Na cobertura, o escritório criou uma área gourmet e um espaço de estar cercado por um paisagismo abundante. As floreiras perimetrais garantem privacidade e transformam o terraço em um refúgio suspenso. O acesso acontece pelas escadas metálicas que receberam uma cobertura envidraçada motorizada, que também ilumina o espaço de circulação vertical.
A Casa MA mostra como a arquitetura pode reinventar limites e transformar um terreno mínimo em um lar cheio de vida, luz e integração. Quer conhecer mais projetos que exploram criatividade em pequenas metragens? Veja também o projeto de uma casa com 3 metros de largura e amplie suas ideias para morar bem.
Fonte: tuacasa






