O Peru não é só Machu Picchu, e a gastronomia de Lima é uma das provas disso. No ano em que a capital peruana celebra seus 491 anos, a jornalista Paola Miglio, especializada em gastronomia e editora-chefe do portal El Trinche, desenhou uma rota que passeia por bares clássicos, lanchonetes históricas e endereços que unem tradição e frescor contemporânea.
A seguir, cinco lugares para comer bem no centro de Lima e entender por que a capital peruana é, há décadas, um dos grandes destinos gastronômicos do mundo:
1. El Tío Candela
O cheiro do peixe frito no carvão anuncia o local antes mesmo de se chegar à esquina das ruas Angaraes e Emancipación. O El Tío Candela está ali há mais de 60 anos, desde quando ainda era apenas uma barraquinha de rua. Hoje, ocupa três imóveis vizinhos e segue sendo um dos templos mais autênticos da cozinha marinha limenha.
Administrado por Rosana Saraiva, filha do fundador Candelario, o restaurante mantém o ritual de preparo há décadas: o cliente escolhe o peixe (charela, chita, pintadilla, entre outros) e o pescado vai inteiro à brasa, da cabeça à cauda. Pequenos cortes em forma de diamante garantem suculência e um cozimento uniforme. Depois entram em cena sal, fogo e ponto preciso, nada mais.
Durante anos, o Tío Candela foi endereço noturno, famoso entre os que buscavam comida depois do pôr do sol. A pedido do público, passou a abrir também no almoço.
Onde? Jr. Angaraes 468 / 482 / 444 – Cercado de Lima.
Quando? De segunda-feira a sábado, das 12h às 00h; e aos domingos, das 12h às 22h30.
Quanto? Chicharrón de pescado a partir de S/ 40.
2. Carbone
Fundada em 1923 como Bodega Sanguchería Antonio Carbone, a Carbone atravessou o século sem mudar de endereço, nem de vocação. É uma das sanduicherias mais tradicionais de Lima e segue firme como parada obrigatória para quem quer provar a essência do sanduíche peruano.
O destaque é a butifarra, recheada com jamón do país e generosas colheradas de salsa criolla — cebola roxa em rodelas finas e vinagre. Também valem a pedida os sanduíches de pejerrey e charela, além de conservas clássicas como grão-de-bico e pé de porco. Sem firulas, a Carbone aposta em ingredientes frescos e receitas que resistem ao tempo.
Onde? Jirón Cailloma 398 – Cercado de Lima.
Quando? Segunda a sexta-feira, das 9h30 às 20h.
Quanto? Sanduíche de jamón a partir de S/ 20.
3. Bar Catedral 1924
Poucos lugares traduzem tão bem a elegância clássica de Lima quanto o Bar Catedral 1924, instalado no lendário Gran Hotel Bolívar, de frente para a Plaza San Martín. Fundado no mesmo ano do hotel, o bar é voltado ao pisco, famoso destilado de uva peruano.
O Pisco Sour Catedral do Bolívar é a bebida-emblema, preparado com pisco quebranta e servido em um cenário que carrega um século de história. Entre as décadas de 1920 e 1950, o hotel hospedou nomes como Pablo Neruda, Cantinflas e Orson Welles, consolidando sua importância cultural.
Onde? Jr. de la Unión 958.
Quando? Domingo a quinta-feira, das 15h às 23h; e às sexta-feiras e sábados, das 15h às 2h.
Quanto? Pisco Sour Catedral do Bolívar a partir de S/ 47.
4. Pan de la Chola
Entre fachadas históricas do Centro, o Pan de la Chola chama atenção pela estética que mistura bodega antiga com minimalismo contemporâneo. Mas é no balcão que o encanto se completa: pães de fermentação natural, sanguchones generosos e uma vitrine de bolos que convida à pausa.
A proposta é a panificação artesanal com toques modernos. As massas respeitam longos processos de fermentação, utilizam cereais e farinhas locais, enquanto dialogam com a vida urbana acelerada de Lima, que exige velocidade na entrega para clientes cosmopolitas sempre em trânsito.
O café também tem protagonismo. De grãos peruanos, selecionados e torrados, o blend exclusivo acompanha perfeitamente os pães recém-saídos do forno.
Onde? Jr. de la Unión 554.
Quando? Segunda-feira a domingo, das 8h às 20h.
Quanto? Pães a partir de S/ 16.
5. El Chinito
Clássico absoluto desde 1960, o El Chinito é sinônimo de sanduíche de chicharrón em Lima. Com duas unidades no centro, uma próxima à Plaza de Armas e outra na rua Chancay, o endereço mantém viva a receita que transformou barriga de porco crocante em patrimônio afetivo da cidade.
O pão macio contrasta com a carne dourada e estalando, criando um conjunto simples e irresistível. Além do chicharrón, o cardápio inclui tamalitos, costelas, chaufarroncito e sucos frescos que ajudam a equilibrar o sabor intenso.
Onde? Jr. Carabaya 318 e Jr. Chancay 894.
Quando? Segunda-feira a domingo, das 8h às 21h.
Quanto? Sanduíche de chicharrón a partir de S/ 25,90.
Fonte: viagemeturismo






