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Descubra 200 receitas incríveis com pitaya e aproveite uma aula exclusiva no podcast Agro de Primeira!

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Conhecida mundialmente como dragon fruit (fruta-do-dragão), a pitaya tem se consolidado como uma promissora alternativa econômica para a fruticultura brasileira. Em entrevista ao podcast Agro de Primeira desta semana, a pesquisadora Adriana de Castro Correia fala do potencial da fruta em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Engenheira agrônoma, doutora em agronomia e coordenadora do curso de agronomia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems), Adriana é especialista em pitaya e realiza trabalhos com a fruta associada a outras culturas para permitir melhor aproveitamento.

“Estamos testando o cultivo da pitaya junto com mamão e banana. Assim, aproveitamos o sombreamento e damos ao produtor mais opções para arrecadação com o plantio”, afirma.

Adriana, excepcionalmente, fala, de forma híbrida para os dois estados, a exemplo do que aconteceu com o episódio 21 do podcast sobre crédito rural, com o advogado Thiago Amorim.

Embora seja frequentemente vista como exótica e difundida no mercado asiático, a fruta tem origem nas Américas, com centros de diversidade que incluem o sudoeste dos Estados Unidos, México e países sul-americanos como o Brasil. No território nacional, a cultura deixou de ser apenas de “fundo de quintal” para ganhar escala comercial a partir da década de 1990, inicialmente no estado de São Paulo.

Tipos de frutos e espécies

Existem diversas espécies de pitaia cultivadas, diferenciadas principalmente pelas cores da casca e da polpa. Entre as mais importantes comercialmente estão:

  • Pitaya rosa: polpa de sabor adocicado e com antioxidantes, como o licopeno;
  • Pitaya branca: polpa de sabor doce, suave e com menor teor de calorias e carboidratos;
  • Pitaya amarela: polpa mais aromática que as demais e sabor levemente ácido.

Onde se cultiva no Brasil?

A pitaya demonstra grande plasticidade, podendo ser cultivada em todas as regiões do país. Segundo o IBGE, os principais estados produtores são São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Pará e Minas Gerais. O estado de Santa Catarina, por exemplo, destaca-se como o segundo maior produtor nacional, com o cultivo concentrado em pequenas propriedades de agricultura familiar.

O pesquisador da Embrapa Cerrado, Fábio Gelape Faleiro, disse que houve um grande aumento da produção de pitaya no Brasil nos últimos anos e cita os dados:

  • Em 2017 (1,5 mil toneladas – fonte IBGE)
  • Em 2022 (5 mil toneladas – estimativa Embrapa Cerrados)
  • Em 2025-2026 (20 mil toneladas – estimativa Embrapa Cerrados)

“No Mato Grosso, com o trabalho de parceria entre Empaer (Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural) e Embrapa Cerrados, houve um aumento da produção nos últimos anos com produção superior a 500 toneladas. No Mato Grosso do Sul, com o trabalho de parceria entre Embrapa Cerrados e Embrapa Agropecuária Oeste, houve um aumento do número de produtores interessados, mas a produção ainda é pequena”, afirmou.

Em Mato Grosso do Sul, cidades como Alcinópolis, Naviraí e Terenos investem na produção de pitaya. Em Mato Grosso, além de Rondonópolis e Tangará da Serra, a região da Chapada dos Guimarães também começa a apostar no cultivo da fruta.

“Pela variedade climática e diversidade de solo, a pitaya se adapta tranquilamente aos dois estados. Fruta fácil de ser cultivada. Apesar de ser uma cactácea, não precisa de clima árido por ser um cacto de floresta. Ela aproveita bem a água e não precisa de solo profundo. Consegue ser cultivada em lugares que não são agriculturáveis para outros culturas”, disse Adriana referendando a fruta como ótima opção para pequenos agricultores.

“Como não existem ainda máquinas pra facilitar, tanto a colheita quanto a pode precisam ser feitas de forma manual. Para o pequeno produtor isso é ótimo porque retem mão-de-obra ou aproveita a mão-de-obra familiar. Para os grandes é um pouco complicado porque precisa de muitas pessoas no trabalho, já que não há, ainda, máquinas para a colheita a exemplo de outras culturas”, esclarece.

Dama da noite

A pitaiya possui o metabolismo CAM, que permite à planta fechar os estômatos durante o dia para conservar água e abri-los apenas à noite. Suas flores são exuberantes e grandes, mas possuem uma particularidade: abrem-se apenas uma vez e durante o período noturno, com duração de 12 a 15 horas. Por isso, ficou conhecida como Dama da Noite. Historicamente, as flores eram usadas como adereço.

Segundo o livro “Pitaya no Brasil, nova opção de cultivo”, lançado em 2002, pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), com colaboração da professora Adriana, “em fazendas antigas de Minas e Goiás, seus frutos eram usados como laxante e o suco e seus cladódios como depurativo.”

Hoje, é sabido que as sementes da pitaya tem pectina, substância que, a exemplo da chia, dá a sensação de saciedade.

Informações Nutricionais e Saúde

Considerada um alimento funcional, a pitaia é rica em compostos bioativos que previnem doenças degenerativas.

  • Baixas calorias: possui alto teor de água e baixo valor energético quando comparada a outras frutas.
  • Rica em minerais e vitaminas: é fonte de potássio, fósforo, cálcio, magnésio e zinco, além de vitamina C e complexo B.
  • Poder antioxidante: a polpa e a casca são ricas em betalaínas (pigmentos naturais), que reduzem o estresse oxidativo nas células.
  • Coração e Digestão: suas sementes contêm ácidos graxos essenciais, como o Ômega 3 e 6, que auxiliam no controle do colesterol (LDL), além de possuírem uma ação laxante suave.

Como começar o plantio da pitaya

Com um ano, as mudas de pitaya já dão os primeiros frutos.

Adriana diz que economicamente, a partir do terceiro ou quarto ano, a planta já está consolidada e economicamente viável. Ela dá algumas dicas para quem quer iniciar no plantio.

“O principal conselho é trabalhar com qualidade de muda. Como elas podem ficar até 20 anos produzindo no campo, é importante que o produtor adquira mudas com origem em viveiros certificados pelo Renasem (Registro Nacional de Sementes e Mudas), senão, corre o risco de ficar esperando a planta vingar e isso pode não acontecer”, afirma.

Depois disso, ela ressalta a importância de pesquisa de mercado. Saber para quem o produtor vai vender o produto.

“O mercado hoje valoriza muito a pitaya de polpa roxa, então, é bom fazer um teste numa área pequena com esse tipo da fruta. A pitaya se desenvolve rápido. Se tudo der certo, aí, vale ampliar a produção”, conclui.

Potencial de Mercado e 200 Receitas

O mercado brasileiro de pitaia está em plena expansão, com um aumento de mais de 1000% no volume comercializado nas unidades da Ceasa nos últimos dez anos. Embora o Brasil ainda importe a fruta da Colômbia durante a entressafra (maio a novembro), a produção nacional tem crescido para preencher essa lacuna.

A versatilidade é outro ponto forte: além do consumo in natura, a pitaia possui enorme potencial industrial para a fabricação de sucos, geleias, doces em massa, sorvetes, vinhos, vinagres e até como corante natural para as indústrias alimentícia e cosmética.

O gosto da pitaya é peculiar. O Global Taste Charts, guia produzido pela empresa irlandesa Kerry a partir de pesquisas com cientistas, especialistas em aromas e consumidores, colocou a pitaya como a grande sensação de 2026, o que deve fazer com que a fruta apareça nas principais receitas mundiais ao longo do ano.

E para que você não fique fora desta tendência, o Primeira Página e o podcast Agro de Primeira trazem um livro com 200 receitas e doces, salgadas e bebidas feitas a partir da pitaya. O material foi elaborado pela Embrapa Cerrados, do Distrito Federal. É gratuito e pode ser baixado aqui.

Você pode preparar uma delas enquanto acompanha o bate-papo com a pesquisadora Adriana de Castro Correia sobre pitaya. O podcast pode ser acessado nos canais do Agro de Primeira no YouTube e no Spotify. Além da íntegra, é possível assistir a shorts e cortes com os principais pontos da conversa. Basta se inscrever nos canais e ativar as notificações para receber avisos a cada novo material postado.

Fonte: primeirapagina

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