A Adepol-MS (Associação dos Delegados de PolĂcia de Mato Grosso do Sul) emitiu uma nota de repĂșdio ao desfile da Vai-Vai, que no sĂĄbado (10) â segunda noite do carnaval paulistano â trouxe uma ala com policiais representados com chifres e asas vermelhas. A âdemonizaçãoâ da categoria causou revolta por todo o paĂs.

O enredo da escola de samba trouxe como tema o hip hop de SĂŁo Paulo e durante o desfile. A Vai-Vai contou atĂ© com a presença de Mano Brown e KL Jay, dos Racionais MCâs. A ala criticada foi chamada de âSobrevivendo no Infernoâ, uma homenagem ao disco do grupo com mesmo nome, lançado na dĂ©cada de 1990.
Na passarela do samba os âpoliciaisâ desfilaram com escudo escrito âChoqueâ, chifres e asas vermelhas. Em nota, a Adepol denominou a representação com um ataque â macabro e injustificadoâ os policiais.
âNa ocasiĂŁo a POLĂCIA foi retratada como âdiaboâ, com a utilização inclusive de fardamentos e escudos da instituição, em um macabro e injustificado ataque a honra e o pudonor de todos os TRABALHADORES policiais, homens e mulheres, pais e mĂŁes de famĂlia que todos os dias saem de seus lares com o compromisso de doar a sua vida para servir e proteger a mesma sociedade que os endemonia e aplaude essa barbĂĄrie sem precedentes na histĂłria do Brasilâ
Nota Adepol
Ainda em nota, a instituição sul-mato-grossense pediu âconsequĂȘncias jurĂdicas, morais e administrativas urgentesâ contra a escola de samba por âtripudiar de forma tĂŁo violenta, vil e baixaâ dos profissionais.
âA POLĂCIA Ă© a Ășltima barreira a proteger a sociedade da criminalidade, da violĂȘncia e da atrocidade, fragilizar a POLĂCIA Ă© fragilizar a proteção social e sĂł interessa aos criminosos que pretendem cometer crimesâ
Nota Adepol
A PolĂcia de SĂŁo Paulo e tambĂ©m polĂticos criticaram ala da escola de samba.
Ao G1 SĂŁo Paulo a Vai-Vai afirmou que nĂŁo teve a intenção de promover qualquer ataque ou provocação e reforçou que fez um desfile com ârecortes histĂłricosâ e que a ala em questĂŁo faz uma homenagem ao ĂĄlbum âSobrevivendo no Infernoâ, lançado na dĂ©cada de 1990 pelos Racionais MCâs.
Confira parte da nota:
Segundo a Revista Rolling Stone Brasil, que ranqueou o ĂĄlbum na 14ÂȘ posição da lista dos 100 melhores discos da mĂșsica brasileira, âSobrevivendo no Inferno colocou o rap no topo das paradas, vendendo mais de meio milhĂŁo de cĂłpias. Racismo, misĂ©ria e desigualdade social â temas cutucados nos discos anteriores â sĂŁo aqui expostos como uma grande ferida aberta, vide âDiĂĄrio de um Detentoâ, inspirada na grande chacina do Carandiruâ.
Ou seja, a ala retratada no desfile de sĂĄbado, da escola de samba Vai-Vai, Ă luz da liberdade e ludicidade que o carnaval permite,fez uma justa homenagem ao ĂĄlbum e ao prĂłprio Racionais Mcs, sem a intenção de promover qualquer tipo de ataque individualizado ou provocação, mas sim uma ala, como as outras 19 apresentadas pela escola, que homenageiam um movimento. Vale ressaltar que, neste recorte histĂłrico da dĂ©cada de 90, a segurança pĂșblica no estado de SĂŁo Paulo era uma questĂŁo importante e latente, com Ăndices altĂssimos de mortalidade da população preta e perifĂ©rica. AlĂ©m disso, Ă© de conhecimento pĂșblico que os precursores do movimento hip hop no Brasil eram marginalizados e tratados como vagabundos, sofrendo repressĂŁo e, sendo presos, muitas vezes, apenas por dançarem e adotarem um estilo de vestimenta considerado inadequado pra Ă©poca. O que a escola fez, na avenida, foi inserir o ĂĄlbum e os acontecimentos histĂłricos no contexto que eles ocorreram, no enredo do desfile.â
Fonte: primeirapagina




