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Culto de Iemanjá na véspera do réveillon reúne fiéis umbandistas às margens do rio

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Fiéis da Umbanda se reuniram na noite de 30 de dezembro, véspera do réveillon, na Praia Vermelha, zona sul do Rio de Janeiro, para participar de um ritual em devoção a Iemanjá, orixá associada às águas nas religiões de matriz africana. O encontro reuniu pessoas de diferentes idades que levaram flores, cartas e outros símbolos de fé.

A estudante de arquitetura Ana Beatriz de Oliveira, de 23 anos, chegou cedo ao local com rosas amarelas destinadas à entidade. Segundo ela, a oferenda representava gratidão pela conclusão da graduação e pela conquista de um emprego após um período considerado desafiador.

Entre os participantes estava também Washington Bueno, de 58 anos, cabeleireiro e maquiador, que levou palmas brancas. Além de pedidos pessoais por saúde, trabalho e amor, ele destacou uma preocupação coletiva: a redução da violência de gênero. Para ele, o novo ano deve ser marcado por mais respeito e cuidado entre as pessoas.

As flores e objetos levados pelos devotos foram colocados em um barco decorado em azul e branco, com cerca de dois metros de comprimento, posicionado na areia da praia. A estrutura fez parte da gira organizada pela Associação Umbanda e Cultos Afros (Auca), com apoio logístico e de segurança da prefeitura.

O ritual, conhecido como Presente de Iemanjá, foi o quinto realizado na última semana do ano em homenagem à entidade. A celebração misturou tradições iorubás, sincretismo religioso e elementos de preservação cultural.

Debate sobre espaço religioso

Lideranças da Umbanda apontaram tratamento desigual entre religiões nos eventos oficiais de fim de ano. O babalawô e pesquisador Ivanir dos Santos questionou o patrocínio municipal a um palco dedicado exclusivamente à música evangélica em Copacabana na noite do réveillon.

Segundo ele, a concentração de um espaço apenas para um segmento religioso pode representar o apagamento de tradições históricas ligadas à celebração da virada do ano no Rio, iniciadas por praticantes de religiões de matriz africana ainda na década de 1950.

Em resposta às críticas, o prefeito Eduardo Paes afirmou que o objetivo é garantir espaço a diferentes públicos. Para ele, a convivência entre shows gospel e rituais dedicados a Iemanjá simboliza o sincretismo religioso característico da cidade.

Fonte: cenariomt

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