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Crise política em Cuiabá: Disputa de poder entre Executivo e Legislativo expõe Abilio Brunini

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2026

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá deixou de ser apenas uma eleição interna do Legislativo e passou a representar o primeiro grande teste político da gestão do prefeito Abilio Brunini (PL). O embate, que inicialmente girava em torno da composição da Mesa Diretora, evoluiu para um conflito institucional envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário, evidenciando o desgaste da relação entre o prefeito e uma parcela significativa de sua antiga base de sustentação.

Em meio ao cenário de tensão, o presidente estadual do Podemos e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi, optou por não interferir na condução dos vereadores do partido, reafirmando que cada parlamentar possui autonomia para definir sua posição política.

“Eu não entro nesse mérito. Tenho dado liberdade aos vereadores de todo o Mato Grosso para realizarem seus mandatos e suas conduções da forma que entenderem melhor para ajudar seus municípios. Os vereadores poderão optar pela situação, oposição ou independência”, afirmou.

A declaração reforça uma postura institucional e transfere aos vereadores a responsabilidade pelas decisões políticas dentro da Câmara, justamente no momento em que a maior bancada da Casa protagoniza o principal movimento de resistência ao Executivo.

PODER EM DISPUTA

O desgaste entre Prefeitura e Podemos ganhou força durante as articulações para a eleição da Mesa Diretora. Integrantes da legenda acusam o prefeito de tentar influenciar diretamente a sucessão do comando do Legislativo, movimento que provocou o rompimento entre o Executivo e parlamentares que, até então, integravam sua base política.

O Podemos lidera uma das principais chapas da disputa, encabeçada pelo vereador Ilde Taques, e sustenta que, por possuir a maior bancada da Câmara, reúne legitimidade política para presidir o Parlamento Municipal.

Max Russi reforçou esse entendimento.

“O Podemos é a maior bancada da Câmara, teoricamente tem todo direito de ter a presidência da Casa. Eu apoio qualquer um deles. Qualquer um que quisesse disputar apoiaria.”

Apesar do respaldo aos correligionários, o dirigente partidário reiterou que não participa diretamente das negociações.

“Não participo de forma direta, porque não é meu papel. A Câmara tem que decidir. O prefeito tenta interferir, mas os vereadores escolherão os melhores. São três candidatos capacitados e irão decidir.”

JUDICIALIZAÇÃO ACIRRA O CONFLITO

O ambiente político tornou-se ainda mais delicado após a Prefeitura recorrer ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), para contestar dispositivos do Regimento Interno da Câmara que exigem quórum qualificado de dois terços dos vereadores para alteração das normas internas.

Para parlamentares do Podemos, a iniciativa representa uma tentativa de modificar as regras do jogo durante o processo eleitoral e de favorecer interesses do Executivo na definição da futura Mesa Diretora.

A administração municipal, por sua vez, nega qualquer interferência política e afirma que a medida busca apenas garantir maior eficiência na tramitação de projetos considerados estratégicos para a gestão.

Ainda assim, a judicialização ampliou o desgaste institucional e passou a ser interpretada por parte do meio político como um fator adicional de tensão entre os Poderes.

AUTONOMIA ENTRE OS PODERES EM DEBATE

Nos últimos dias, Max Russi também criticou publicamente o recurso ao Judiciário, argumentando que a iniciativa da Prefeitura representa uma interferência na autonomia do Poder Legislativo e pode fragilizar o princípio constitucional da independência entre os Poderes.

O episódio evidencia um dos momentos mais delicados da relação entre Executivo e Câmara desde o início da atual legislatura e poderá influenciar diretamente a governabilidade da administração municipal nos próximos anos.

ANÁLISE | LAIZA RUBIM

A eleição da Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá extrapolou a disputa por cargos e tornou-se um teste de força política do prefeito Abilio Brunini. Em qualquer capital brasileira, o controle da agenda legislativa representa um dos pilares da governabilidade, e os acontecimentos em Cuiabá demonstram que o Executivo enfrenta sua primeira grande crise de articulação institucional.

A postura adotada por Max Russi também merece atenção. Ao evitar impor uma orientação partidária e defender a autonomia dos vereadores, o presidente estadual do Podemos preserva o partido de um confronto direto com o Executivo e reforça um discurso de independência institucional.

Por outro lado, a judicialização da disputa amplia o custo político do conflito. Ainda que o mérito da ação seja analisado pelo Tribunal de Justiça, a percepção política produzida é a de um embate entre Poderes em pleno processo de definição do comando da Câmara.

Independentemente do resultado da eleição, o episódio sinaliza que a governabilidade de Abilio Brunini dependerá menos do capital eleitoral conquistado nas urnas e mais da capacidade de reconstruir pontes com o Legislativo. Em política, maioria não é um patrimônio permanente; é uma construção diária, sustentada pelo diálogo, pela negociação e pela confiança institucional. Essa será, possivelmente, a principal prova de maturidade política da atual gestão.

Fonte: cenariomt

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