Caracas/Brasília – A Suprema Corte da Venezuela determinou, na noite deste sábado, 3 de janeiro de 2026, que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a Presidência da República. A decisão ocorre poucas horas após a prisão de Nicolás Maduro, detido em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos durante a madrugada.
A ordem partiu da Câmara Constitucional do tribunal, que justificou a medida como necessária para preservar a continuidade administrativa do Estado venezuelano em meio à ausência forçada do chefe do Executivo. Segundo o despacho judicial, Rodríguez passa a exercer temporariamente as funções presidenciais com o objetivo de garantir o funcionamento do governo e a defesa institucional do país.
No texto da decisão, a Suprema Corte informou que abrirá um debate interno para definir o enquadramento jurídico aplicável ao novo cenário político, considerado excepcional. O tribunal destacou que a análise buscará assegurar a manutenção da soberania nacional e a estabilidade das estruturas do Estado diante do vácuo de poder provocado pela detenção de Maduro.
A medida aprofunda a crise política iniciada após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington assumiria o controle administrativo da Venezuela após a captura de Maduro. A declaração americana gerou reação imediata em Caracas e elevou a tensão diplomática na América do Sul, com impactos diretos para países vizinhos, incluindo o Brasil, que acompanha os desdobramentos no contexto internacional que influencia a região.
Horas depois da decisão judicial, Delcy Rodríguez fez um pronunciamento em rede nacional de televisão. Em tom firme, afirmou que Nicolás Maduro continua sendo, do ponto de vista constitucional, o presidente legítimo da Venezuela, classificando sua detenção como um “sequestro”. Ela apelou por calma e união da população e disse que o país não aceitará qualquer forma de tutela estrangeira.
A nomeação interina ocorre em um momento de grande incerteza institucional. Internamente, o governo busca demonstrar controle e continuidade, enquanto, no plano externo, cresce a pressão de organismos internacionais e de governos estrangeiros por esclarecimentos sobre a legalidade da operação americana e os rumos da transição política.
O cenário também traz reflexos práticos para o Brasil, que mantém extensa fronteira com a Venezuela e já enfrenta desafios relacionados a migração, comércio regional e segurança. Uma eventual instabilidade prolongada pode ampliar fluxos migratórios e afetar cadeias econômicas sensíveis, exigindo coordenação diplomática e humanitária por parte do governo brasileiro.
Até o momento, não houve reconhecimento internacional formal da presidência interina de Delcy Rodríguez, nem posicionamento oficial do Brasil sobre a decisão da Suprema Corte venezuelana. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nos próximos dias para discutir a situação.
Reportagem especial – conteúdo original, produzido com base em informações da Reuters e análise contextual.
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Fonte: cenariomt






