Esse encontro que valoriza a diversidade cultural e revela a potência da integração, é mais uma iniciativa da música-pesquisadora, Yndira G. Villarroel. Trata-se do projeto “MultiCulturas: Cores brasileiras em Vozes migrantes”, que ofertou aulas gratuitas de canto coral no mês de março. A seu lado, na nova jornada, estiveram as professoras de canto Akane Iizuka (Japão), Estela Ceregatti (MT) e Luísa Vogt (MG), sempre com apoio do músico Jhon Stuart.
“É surpreendente o resultado que alcançamos. Os quatro primeiros ensaios revelaram um grande potencial dos participantes. E é realmente tocante ver a integração entre eles. Você vê por aqui, uma criança venezuelana falando com filhos cujos pais falam em japonês em casa, conversando em uma mesma língua, que é o português. Foi a música que estabeleceu esse vínculo”, destaca.
Yndira torce para que a breve vivência tenha despertado nos participantes o desejo de ingressar em outros grupos, como o Coral da UFMT. “É um presente para mim. E estou também muito realizada pelos parceiros neste projeto, como Luísa, Estela e Jhon, que vem trilhando um caminho na produção e arranjos. E sobre a metodologia empregada, a violinista conta que todo o processo flui com leveza, sem cobranças. “A gente entrega o material impresso para estudarem em casa, mas não há exigências. É para ser um momento prazeroso, porque um dos nossos principais objetivos é promover o intercâmbio social por meio da música”.
De outro lado, a professora doutora Luísa Vogt destaca que o principal desafio é o diminuto tempo que tiveram para se preparar, mas ela também realça que o resultado é admirável. “O que vemos é um engajamento coletivo. E assim, o vínculo vai se fortalecendo. A música tem esse poder de unir as pessoas, independentemente do idioma. Estão mesmo bastante interessados em aprender sobre a cultura do outro e esse também é um dos objetivos do MultiCulturas”.
As leituras sobre o momento são únicas. A professora Akane, por exemplo, que além de ensinar, também se esforça para aprender, conta que está tentando superar as dificuldades que têm com a pronúncia de algumas palavras. “Por exemplo, como se lê algum som de letra que não costuma usar no dia a dia. Mas eu estou me divertindo muito”, diz com sotaque japonês acentuado. Ela está ensinando os coralistas a cantar uma música tradicional no Japão, a “Omatsuri Mambo”, que para ela, retrata bem o momento. “Omatsuri significa festa, festival. Ela diz ‘vamos para cima’, ‘vamos festejar'”.
Quem se empolga bastante com essa música é Ibraim Hernández, jovem venezuelano que fala inglês, e está aprendendo o português. “Ah! E japonês também, por conta própria. E agora, cantando no idioma e falando com pessoas que falam japonês”, se diverte.
A pesquisadora de Ciência e Tecnologia da UFMT, Marinés Alejandra González Colina, há seis anos em Cuiabá, também celebra a oportunidade. Ela conta que já tinha um vínculo com a música, porque o pai é pianista e o tio, regente, porém, foi o projeto que proporcionou a primeira vivência prática. “Meu pai conta que tocava Chopin, Bach e Beethoven e minha mãe colocava a barriga perto do piano para que eu ouvisse. E cresci ouvindo também MPB e bossa nova, que meu pai apresentou para mim. Mas graças ao MultiCulturas, essa é a primeira vez na música”.
O projeto foi contemplado pelo edital Viver Cultura – Identidades, da Lei Paulo Gustavo, com recursos do Governo Federal via Ministério da Cultura e executado pelo Governo de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). Conta ainda com apoio da Universidade Federal de Mato Grosso, via Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (Procev) e Coral da UFMT.
Fonte: Olhar Direto