A implantação de um contorno viário para retirar o trânsito pesado de caminhões do trecho da BR-163 que corta Lucas do Rio Verde voltou ao centro das discussões durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Lucas do Rio Verde, realizada nesta segunda-feira (9). O tema gerou debate entre vereadores, com posicionamentos diferentes sobre o projeto e seus impactos para o município.
A proposta prevê a construção de um anel viário com cerca de 27,5 quilômetros para desviar o tráfego de passagem da rodovia federal, reduzindo o fluxo de caminhões dentro da cidade.
Projeto vem sendo discutido desde 2015
O presidente da Câmara, Airton Callai, afirmou que o projeto é discutido no município há mais de uma década e surgiu a partir de debates com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a concessionária Nova Rota do Oeste.
Segundo ele, o projeto inicial previa apenas duas travessias na cidade, proposta considerada insuficiente para atender a realidade de Lucas do Rio Verde.
“Esse assunto vem sendo discutido desde 2015. Na época foi apresentado um projeto que previa apenas duas passagens na cidade, mas isso não sustentaria o crescimento de Lucas do Rio Verde”, destacou.
Callai explicou que o anel viário terá aproximadamente 27,5 quilômetros de extensão e que o prazo estimado para execução da obra é de dois anos após a assinatura do contrato.
Trânsito de passagem representa maioria dos veículos
De acordo com o presidente do Legislativo, estudos da concessionária apontam que mais de 90% dos veículos que passam pela BR-163 no perímetro urbano são de passagem e não têm como destino o município.
Nesse cenário, o contorno viário permitiria que esses veículos utilizassem um trajeto alternativo, reduzindo o fluxo de caminhões dentro da cidade.
“A BR-163 dentro de Lucas do Rio Verde deve se transformar em uma grande avenida urbana no futuro. O contorno permitirá que os veículos de passagem utilizem outro trajeto”, afirmou.
Ele também destacou que o projeto faz parte de um planejamento maior de desenvolvimento logístico da cidade, que inclui a chegada da ferrovia, a instalação de uma zona de processamento de exportação e novos centros de distribuição.
Vereador pede cautela
Durante a sessão, o vereador Helio Kaminski apresentou questionamentos sobre o projeto e defendeu que a proposta seja discutida com maior participação da sociedade.
Segundo ele, embora o desenvolvimento seja necessário, é importante avaliar os impactos econômicos e sociais que a obra pode gerar, especialmente para comerciantes localizados às margens da BR-163.
“Não sou contra o desenvolvimento. O crescimento é inevitável e necessário. Mas precisamos ter precaução e ouvir a sociedade que pode ser impactada por um projeto dessa magnitude”, afirmou.
Kaminski também levantou dúvidas sobre a manutenção futura do novo trecho e comparou a situação com a MT-449, rodovia estadual que liga Lucas do Rio Verde à Tapurah, apontando preocupações sobre custos e cuidados necessários com a nova estrutura.
Discussão deve continuar nos próximos meses
Apesar das divergências, os vereadores concordam que o crescimento do município exige planejamento e melhorias na mobilidade urbana e logística.
A expectativa é que o projeto continue sendo debatido nos próximos meses, especialmente nas tratativas entre o município, o DNIT e a concessionária responsável pela BR-163, antes da assinatura do contrato e início das obras.
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Fonte: cenariomt






