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Contaminação em Praia de Salvador: 100 dias de impacto para moradores

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2026

A comunidade de São Tomé do Paripe, em Salvador (BA), vive há 100 dias sob os efeitos de uma suspeita de contaminação química na área da praia. O problema, identificado inicialmente em 19 de fevereiro, alterou de forma significativa a rotina de milhares de moradores que dependem diretamente do mar para sobreviver.

Segundo relatos locais, um forte odor semelhante a amônia e a presença de líquido esverdeado na areia marcaram o início da crise ambiental. Desde então, o trecho permanece sob monitoramento e segue classificado como impróprio para banho e atividades de pesca, conforme orientação de órgãos ambientais.

Investigação e hipóteses

De acordo com o Ministério Público da Bahia (MPBA), há indícios de que a origem da contaminação esteja ligada a atividades portuárias realizadas no Terminal Marítimo de Granéis, atualmente operado pela empresa Intermarítima. A Gerdau, que atuou na área até 2022, também é citada nas apurações.

O órgão ministerial aponta que análises técnicas indicaram presença de compostos nitrogenados e metais, com destaque para o cobre, em diferentes pontos da região costeira. As empresas foram notificadas para adoção de medidas emergenciais de contenção e investigação ambiental.

Impactos na comunidade

Estima-se que mais de 18 mil pessoas vivam na região afetada, sendo que ao menos 10,7 mil teriam sido diretamente impactadas, segundo o MPBA. Parte significativa da população depende da pesca e do comércio na praia, o que agravou a situação econômica local.

Moradores relatam perda de renda, redução de atividades tradicionais e impactos na saúde, com registros de irritações e desconfortos após contato com a água e areia. A situação também levou à realização de protestos e reuniões mediadas por órgãos públicos.

Posicionamento das autoridades

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) confirmou a presença de contaminação em sedimentos, água e biota da região após análises em múltiplos pontos da praia. O órgão reforça que a área deve ser evitada para banho, pesca e contato direto.

O Ministério Público defende a adoção de um decreto de emergência para viabilizar apoio às famílias atingidas e acelerar medidas de reparação ambiental. Também está em discussão a possibilidade de ações judiciais conjuntas entre instituições estaduais e federais.

Debate sobre responsabilidade

As empresas envolvidas divergem sobre a origem da contaminação. A Intermarítima afirma que não opera com materiais perigosos compatíveis com os resíduos identificados e sustenta que suas estruturas seguem normas ambientais.

Já a Gerdau contesta a responsabilidade atual e afirma que não atua mais no terminal desde 2022, alegando que cumpriu exigências legais durante o período em que operou na área. Ambas as partes seguem colaborando com investigações e análises técnicas em andamento.

Situação segue sem solução

Enquanto as investigações continuam, a comunidade permanece em situação de vulnerabilidade social e econômica. Autoridades locais e estaduais discutem medidas emergenciais de assistência, incluindo apoio alimentar e possível indenização às famílias afetadas.

O caso segue sem definição final sobre responsabilidade e reparação ambiental, enquanto moradores aguardam a recuperação da área e o retorno das atividades tradicionais ligadas ao mar.

Fonte: cenariomt

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