Quem passa pelo Centro Histórico de Chapada dos Guimarães (MT) pode encontrar, dentro de um dos principais patrimônios culturais de Mato Grosso, um acervo que atravessa séculos. O Museu de Arte Sacra do Santuário de Sant’Ana reúne mais de 250 peças de arte sacra e etnográfica.
São imagens religiosas, objetos litúrgicos, peças produzidas em madeira e metal e registros fotográficos dos séculos XVIII, XIX, XX e XXI. O conjunto ajuda a preservar parte da história religiosa e cultural de Chapada dos Guimarães. O próprio prédio onde o museu está instalado também carrega quase três séculos de história.
A origem do Santuário de Sant’Ana remonta a 1751, quando o jesuíta Estevão de Crasto ergueu, na então localidade de Aldeia Velha, uma capela coberta de palha. O pequeno templo possuía três altares destinados às imagens de Sant’Ana com a Virgem, Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier.
Anos depois, em 1758, com a expulsão dos jesuítas e a transformação das aldeias missionárias em paróquias, a capela de Sant’Ana passou a ser matriz. A construção que se aproxima da igreja conhecida atualmente surgiu em 1779, quando a antiga capela de palha foi substituída por uma igreja coberta de telhas, rebocada e caiada.
A capela-mor recebeu ainda azulejos pintados à mão, atribuídos ao período pombalino e produzidos em Lisboa até o fim do século XVIII. A construção também possuía sacristia e uma casa destinada aos párocos.
Tempestade destruiu parte da igreja
A história do prédio também foi marcada por uma tempestade. Em 1780, apenas um ano depois da construção da nova igreja, a parte frontal do templo foi destruída.
Posteriormente, a fachada foi reconstruída e ganhou duas torres. Também foram acrescentados corredores nas laterais da nave e forros de madeira no teto e no piso.
Embora as duas torres originais já não existam, a igreja preserva características da construção de 1779.
O templo foi construído em taipa de pilão, técnica que utiliza terra compactada para formar paredes espessas, e possui cobertura de telhas de barro. Além da nave e da capela-mor, a construção conta com salas laterais e ambientes localizados atrás do altar principal.
Último remanescente do barroco em Mato Grosso
Entre os detalhes preservados estão trabalhos em madeira policromada encontrados no altar-mor, no arco-cruzeiro, nos altares laterais da nave e na estrutura de madeira localizada próxima à entrada da igreja.
Os retábulos apresentam características do estilo rococó.
Por sua importância cultural e arquitetônica, a Igreja Nossa Senhora de Sant’Ana é tombada como patrimônio histórico e considerada o último remanescente do barroco em Mato Grosso.
É justamente nesse cenário que funciona o Museu de Arte Sacra. Durante a visita, além de observar o acervo, o público pode conhecer detalhes da trajetória do templo e entender como as peças preservadas ajudam a contar a formação religiosa e cultural de Chapada dos Guimarães.
Como visitar o Museu de Arte Sacra
🏛️ Como visitar o Museu de Arte Sacra
A visitação ao museu é realizada com acompanhamento e orientação.
🎟️ Entrada: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia-entrada).
📍 Onde fica: Santuário de Sant’Ana, Praça Dom Wunibaldo, Centro de Chapada dos Guimarães.
📞 Informações: Paróquia Santuário de Sant’Ana — (65) 3301-1213.
Fonte: primeirapagina





