Uma disputa patrimonial entre um ex-casal mobilizou equipes da Polícia Militar na manhã desta quarta-feira (1º), no bairro Recanto Suíço, em Sinop. O que deveria ser uma conversa sobre divisões de bens após cinco anos de união terminou em violência física, danos materiais e ambos os envolvidos conduzidos à delegacia de Mato Grosso.
A ocorrência revela a complexidade das relações interpessoais e os riscos de confrontos diretos em processos de separação sem mediação jurídica. Segundo o boletim de ocorrência, a motivação central seria o descumprimento de um acordo financeiro envolvendo uma empresa de transportes e imóveis de alto valor.
Acusações de coação e quebra-quebra
No local, a mulher apresentou uma versão detalhada sobre o desgaste da relação. Ela relatou aos policiais que, após o término, sentiu-se coagida a transferir para o ex-companheiro uma empresa de transportes e quatro terrenos. Em contrapartida, o homem teria se comprometido a assumir dívidas e despesas pendentes, o que, segundo ela, jamais ocorreu.
Tomada pela indignação com o suposto prejuízo financeiro, a mulher foi até a residência do ex-parceiro. O encontro rapidamente escalou para uma briga, resultando na destruição de diversos objetos no interior do imóvel por parte da ex-companheira.
Relatos de violência física e contenção
A situação tomou contornos de violência doméstica quando, de acordo com o depoimento da mulher, o homem reagiu às agressões materiais com força física excessiva. Ela afirmou ter sido segurada pelo pescoço contra a parede, jogada em um sofá e sofrido pressão na região cervical, além de ter sido arrastada na tentativa de ser expulsa da casa.
Por outro lado, o homem apresentou uma versão divergente aos militares. Ele alegou que a ex-mulher invadiu sua residência de forma agressiva e iniciou a quebra dos objetos. Segundo ele, o uso da força foi estritamente necessário para contê-la e proteger o patrimônio e sua própria integridade física.
Encaminhamento à Delegacia e Lei Maria Penha
Diante das versões conflitantes e dos sinais visíveis de agressão e danos, a Polícia Militar encaminhou o homem e a mulher à Delegacia de Polícia Civil de Sinop. O caso agora será analisado sob a ótica da Lei Maria da Penha (em relação às agressões físicas relatadas) e do crime de dano qualificado (pela destruição dos bens no imóvel).
Investigadores devem solicitar imagens de câmeras de segurança, se disponíveis, e ouvir possíveis testemunhas para esclarecer quem iniciou as agressões. A disputa pelos terrenos e pela transportadora deverá seguir para as varas cíveis e de família para a devida regularização jurídica.
Dica de Segurança: Em casos de disputas de bens ou separações conturbadas, especialistas recomendam evitar o contato direto sem a presença de advogados ou mediadores. Se sentir-se coagida ou ameaçada, a mulher pode buscar auxílio na Delegacia da Mulher ou ligar para o 180.
Reportagem baseada em informações oficiais da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT).
Fonte: cenariomt





