A confiança do consumidor registrou a segunda alta consecutiva em abril, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) avançou 1 ponto em relação a março e chegou a 89,1 pontos, mesmo patamar observado em dezembro do ano passado, que era o maior nível recente.
Na média móvel trimestral, o indicador também apresentou melhora, com alta de 0,6 ponto, alcançando 87,8 pontos.
De acordo com a economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Anna Carolina Gouveia, a percepção mais positiva sobre a situação atual da economia foi decisiva para o resultado de abril.
Entre os fatores que influenciaram o avanço estão a inflação sob controle e a manutenção de um mercado de trabalho aquecido. Segundo a especialista, a melhora foi mais intensa entre famílias de menor renda, possivelmente favorecidas por medidas como a ampliação da isenção do Imposto de Renda.
Os dois componentes que formam o índice apresentaram crescimento no mês:
- ISA, que mede a percepção sobre o momento presente, subiu 2,1 pontos e chegou a 85,3 pontos.
- IE, que avalia expectativas futuras, avançou 0,2 ponto e atingiu 92,3 pontos.
Segundo a economista, o principal impulso veio da avaliação sobre a situação financeira atual das famílias, indicador que cresceu 3,9 pontos em abril.
O recorte por renda mostra que o maior avanço ocorreu entre consumidores com renda mensal de até R$ 2,1 mil. Para esse grupo, houve alta de 3,4 pontos no mês, após crescimento de 5,4 pontos em março.
Perspectivas para os próximos meses ainda são incertas. A economista alertou que conflitos externos podem pressionar a inflação no Brasil e reduzir a confiança do consumidor caso os preços voltem a subir.
Outro fator de atenção é o endividamento das famílias, que segue elevado. Segundo a análise, políticas públicas voltadas ao alívio financeiro podem melhorar o orçamento doméstico, reduzir o pessimismo e estimular novamente o consumo.
Fonte: cenariomt





