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Comparação entre Dell XPS 13 e MacBook Neo: preço no Brasil ainda é incerto

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2026

Com o lançamento do MacBook Neo, 40% mais barato do que os outros Macs, a Apple finalmente passou a ter um produto capaz de competir em preço com os notebooks Windows. Mas o mundo PC reagiu rápido, com dois lançamentos: o Acer Swift Air 14 e o Dell XPS 13, ambos vendidos a US$ 699 nos EUA. Passei três semanas testando o Dell, que será lançado no Brasil em setembro.  

Assim como o MacBook Neo, ele é muito bem construído, com chassi de alumínio e teclado excelente, com estrutura firme (não afunda durante a digitação) e teclas altamente responsivas, que proporcionam uma digitação rápida e “crocante”, bem precisa.  O XPS 13 será produzido no Brasil, e por isso seu teclado usará o layout ABNT-2, com a tecla cedilha (os MacBooks adotam o layout americano).  

Notebook prateado visto de perfil, com a tela fina e vertical à esquerda e o teclado horizontal à direita, destacando seu design compacto
Visão lateral do XPS 13, que pesa 1 kg. (Dell/Divulgação)

O XPS 13 tem a tecla Copilot, que abre o assistente de IA do Windows, mas a Dell optou por colocá-la no lado direito do teclado, bem ao lado das setas. Por isso, diversas vezes acabei acionando o Copilot sem querer enquanto escrevia. Isso se tornou um problema. Resolvi instalando o aplicativo Microsoft PowerToys, que permite desabilitar a tecla Copilot. 

A tela do XPS 13 é ótima, muito brilhante, e um pouco maior que a do MacBook Neo (tem 13,4 polegadas, contra 13″ do Apple). Sua moldura é bem mais fina, especialmente na parte de cima, onde fica a webcam – que tem qualidade de imagem ok, embora inferior à do MacBook Neo.

A webcam do XPS 13 possui sensor infravermelho, e por isso é compatível com a função Windows Hello, que permite abrir o Windows sem precisar digitar senha. Funciona bem. A tela é sensível ao toque – algo que, na prática, acaba não tendo grande utilidade. 

O XPS 13 pesa apenas 1 kg (contra 1,2 kg do MacBook Neo) e tem duas portas USB-C, uma de cada lado do chassi – na máquina da Apple, ambas ficam do lado esquerdo. Por outro lado, ele não tem saída P2 para fones de ouvido, algo que o rival oferece. Então, se você quiser usar fones com fio, vai precisar de um adaptador. 

Diagrama explodido do laptop Dell XPS 13 DX13260, mostrando seus componentes internos separados e numerados, como a tampa base, SSD, placa-mãe, bateria, tela e ventoinhas, sobre um fundo branco. Uma lista de legendas detalha cada peça
Visão explodida mostrando componentes internos do XPS 13. (Dell/Divulgação)

Um ponto relevante, sobre as portas USB: quando usei o XPS 13 conectado a teclado e monitor externos, por meio de um hub USB-C, ele sempre exibiu um alerta, ao ser ligado, dizendo que estava recebendo apenas 50 watts de eletricidade e isso poderia não ser o suficiente para carregar a bateria. Ora, mas eu estava usando o carregador do próprio XPS 13, de 65 watts, conectado a um hub USB-C Anker que transfere até 85 watts. O alerta era só um bug – o laptop funcionou e carregou normalmente quando plugado a esse hub.

Nos Estados Unidos, o XPS 13 é vendido com 8 gigabytes de memória RAM, a mesma quantidade do MacBook Neo. No Brasil, será diferente: a Dell optou por priorizar, ao menos no início, configurações com 16 GB – como a que recebi para teste, equipada com o chip Intel Core 5 320. É uma CPU bem atual, lançada no segundo semestre deste ano, com seis núcleos de processamento – dois de alta performance e quatro que priorizam a eficiência energética. 

Costumo ter 15 a 20 abas do navegador abertas, incluindo várias que consomem bastante memória, como Gmail (duas contas simultâneas), Google Workspace (incluindo planilhas pesadas) e WhatsApp Web, enquanto ouço música pelo Spotify, vejo algo no YouTube ou faço reuniões no Google Meet. O processador Core 5 320 tirou de letra essa combinação de coisas: em nenhum momento o XPS 13 engasgou ou ficou lento. 

Vista superior do interior de um notebook, mostrando a parte traseira do teclado e do touchpad, com circuitos e parafusos visíveis
Camada interna de grafite (em preto) e área com aplicação de composto térmico Gore (retângulo branco, no alto). (Dell/Divulgação)

Isso também se deve ao bom gerenciamento térmico do XPS 13, que inclui uma placa interna de grafite (veja imagem acima) e o uso de um material chamado Gore. A superfície do laptop não esquenta, mesmo quando ele está conectado à tomada, e a CPU trabalha com bastante folga térmica – mesmo em situações de estresse, ele nunca ultrapassou 80 oC, bem abaixo da temperatura máxima especificada pela Intel (100 oC, à partir da qual o chip entra em thermal throttle, reduzindo a própria performance).    

Meu fluxo de trabalho consome 11 a 14 GB de memória RAM, ou seja, cabe tranquilamente nos 16 GB de RAM instalados na máquina de teste. Mas também testei o laptop da Dell com metade da memória, 8 GB – consegui fazer isso recorrendo ao utilitário msconfig, que vem embutido no Windows e permite limitar a quantidade de RAM disponível. 

Ao iniciar o sistema com 8 GB, o Windows ocupou 4,5 GB. Assim que abri o browser e todas as ferramentas online que utilizo, a RAM foi inteiramente tomada e o sistema começou a trabalhar com o swap file, um arquivo que funciona como memória RAM virtual (e é mais lento do que ela, já que fica armazenado no SSD). O MacBook Neo lida muito bem com isso; você não sente qualquer perda de desempenho. 

E o XPS 13 também: o Windows continuou perfeitamente ágil, mesmo após saturar a memória RAM. Nem parecia que o sistema tinha apenas 8 GB. Mérito dos SSDs modernos, que são rápidos o suficiente para rodar bem o swap file – ao menos nesse padrão de uso, centrado no browser. O Dell XPS vem equipado com SSD de 512 GB (o MacBook Neo, na versão de US$ 699, tem a metade disso). 

E a bateria? No MacBook Neo, ela dura de 10 a 11 horas. No Dell XPS 13, quase isso: consegui cerca de 10 horas, em média (com o brilho da tela em 50% e o Windows no modo “economia de energia”). Porém, para que o XPS 13 alcançasse esse patamar, a Dell precisou colocar nele uma bateria de 52 watts-hora, muito maior que a bateria do MacBook Neo (36,5 Wh). Os chips de arquitetura x86, como os da Intel, continuam gastando muito mais energia que os processadores da Apple, que adotam a arquitetura ARM. De toda forma, 10 horas são o bastante para atravessar o dia de trabalho com tranquilidade. 

O XPS 13 é uma resposta convincente ao MacBook Neo, com um porém: seu preço no Brasil ainda não foi anunciado pela Dell (que deve fazer isso no dia 10 de setembro). Se custar o mesmo que o Neo, como acontece nos EUA, será uma excelente alternativa a ele. 

Mas há dois fatores que podem complicar isso. A opção da Dell pelos 16 GB, o que certamente elevará o preço, e o fato de que o MacBook Neo, além dos canais oficiais de vendas, também pode ser encontrado a valores mais baixos em marketplaces online, no chamado “mercado cinza”, formado por importadores independentes. São vendedores que nem sempre recolhem os impostos ou oferecem nota fiscal ao consumidor (que perde o direito à garantia de fábrica). Não dá para comparar o varejo oficial ao mercado cinza. Mas ele é uma realidade, na qual o MacBook Neo está inserido – e com a qual o XPS 13 terá de lidar.

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

Jornalista DRT 0003133/MT - O universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber. Vamos ser a mudança que, queremos ver no Mundo