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Cobranças abusivas de água na Maré geram preocupação com endividamento

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2026

A cobrança de tarifas de água e esgoto na região da Maré, no Rio de Janeiro, tem gerado preocupação entre moradores e especialistas. Segundo a professora Ana Lucia de Britto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há indícios de falta de transparência nas cobranças realizadas pela concessionária responsável pelo serviço.

De acordo com a pesquisadora, a prática não é isolada e já foi observada em outros municípios atendidos pela empresa, como Japeri. Ela avalia que a atuação segue uma lógica de ampliação de receitas, indo além da prestação básica do serviço. Taxas adicionais, como corte, religação e juros por atraso, acabam elevando significativamente o valor final das contas.

Moradores da Maré começaram a receber as primeiras faturas em março, após o anúncio de investimentos de R$ 120 milhões em obras de saneamento. No entanto, os valores surpreenderam. Há registros de contas que chegaram a R$ 1.153, muito acima do esperado, especialmente diante da promessa de tarifa social de R$ 5 durante o primeiro ano.

Além dos valores considerados altos, moradores relataram irregularidades nas faturas, como ausência de nome, CPF e endereço. Diante disso, lideranças comunitárias orientaram a população a não efetuar pagamentos sem identificação adequada. A concessionária informou que identificou falhas no sistema e realizou o cancelamento das cobranças indevidas.

Apesar da suspensão das cobranças, persiste a preocupação com o impacto financeiro. Representantes locais avaliam que, mesmo com tarifa social, os valores podem ser incompatíveis com a realidade econômica da população, aumentando o risco de endividamento e inadimplência.

Estudos realizados em Japeri reforçam esse cenário. Pesquisa conduzida pela UFRJ identificou que famílias de baixa renda, inclusive inscritas em programas sociais, não foram incluídas automaticamente na tarifa reduzida, resultando em dívidas consideradas impagáveis. Em alguns casos, houve corte no fornecimento mesmo diante da incapacidade de pagamento.

A análise aponta que a dificuldade de acesso econômico ao serviço essencial pode agravar a vulnerabilidade social, levando moradores a enfrentar restrições financeiras e até a negativação do nome.

Em resposta, a concessionária afirma que tem ampliado o acesso ao saneamento e que realiza ajustes quando há inconsistências cadastrais. A empresa também destaca investimentos em infraestrutura e a ampliação do atendimento à tarifa social.

Fonte: cenariomt

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