A citricultura brasileira avalia que os próximos anos podem abrir uma janela importante para a recuperação de espaço no mercado europeu, após um período de perda de participação nos embarques de suco de laranja ao bloco, resultado do acordo Mercosul-UE. A análise é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, que aponta a redução gradual de custos comerciais como um dos fatores capazes de favorecer esse reposicionamento.
Atualmente, a União Europeia tem absorvido uma fatia menor das exportações brasileiras de suco de laranja em comparação às safras anteriores. Nos seis primeiros meses da temporada 2025/26, entre julho e dezembro de 2025, 41,5% dos embarques nacionais de suco concentrado a 66° brix tiveram como destino o bloco europeu. Até a safra passada, essa participação superava 60%, evidenciando um redirecionamento das vendas externas, sobretudo para os Estados Unidos, que responderam por 51,9% do volume exportado no período.
Segundo pesquisadores do Cepea, esse movimento está ligado à perda de competitividade do produto brasileiro no mercado europeu, pressionado por tarifas, custos logísticos e maior concorrência internacional. Nesse cenário, a perspectiva de redução gradual das tarifas de importação é vista como um elemento capaz de aliviar custos e melhorar as margens ao longo do tempo.
Estimativas da CitrusBR indicam que a economia acumulada com a diminuição tarifária pode alcançar cerca de US$ 320 milhões nos primeiros cinco anos, recurso que tende a fortalecer a posição do Brasil como fornecedor e estimular a retomada dos embarques ao bloco europeu.
Apesar desse potencial, os dados recentes ainda refletem um momento de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja concentrado somaram 423,26 mil toneladas em equivalente de suco concentrado nos seis primeiros meses da safra 2025/26, queda de 5,4% em relação ao mesmo intervalo da temporada anterior, conforme dados da Comex Stat/MDIC, analisados pelo Cepea.
Para o Centro de Pesquisas, a combinação entre recuperação de competitividade, reequilíbrio de mercados e redução gradual de barreiras comerciais pode recolocar a União Europeia como um destino mais relevante para o suco de laranja brasileiro nos próximos anos, sem depender exclusivamente de um único mercado consumidor.
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Fonte: cenariomt






