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Ciência & Saúde

Novo gel dos pesquisadores suíços promete acabar com a ressaca

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O acetaldeído é uma substância vinte vezes mais tóxica que o álcool (algumas fontes falam em trinta) e confirmadamente carcinogênica. Você certamente não daria um gole na dita-cuja por livre e espontânea vontade. Mas, infelizmente, ela está sempre com você nas manhãs de ressaca e é a responsável por vários de seus , inclusive a náusea.

Quando você enche a cara, o primeiro passo do seu fígado para lidar com a crise é usar uma enzima chamada álcool desidrogenase (ADH) para transformar o etanol em acetaldeído. Parece um plano péssimo, mas é uma etapa importante da cadeia de reações químicas necessária para te livrar da bebedeira.

Pouco depois, uma outra enzima (a aldeído desidrogenase, ou ALDH) quebra o acetaldeído em ácido acético, que, em última instância, será decomposto em água e gás carbônico. Feito. Infelizmente, seu corpo não conhece outro caminho químico para eliminar o goró. A passagem pelo acetaldeído é a punição bioquímica dos ébrios que passam do ponto.

Explicamos tudo isso para dizer que um grupo de santos (quer dizer, pesquisadores) do Instituto Federal de Tecnologia de criou um gel que decompõe o álcool diretamente em ácido acético, ainda no intestino, sem forçar seu fígado a passar pela etapa traumática do acetaldeído. Os primeiros testes com o invento saíram no periódico especializado Nature Nanotechnology

O lado bom é que a ressaca se torna impossível. A contrapartida é que você não consegue ficar êbado, também. É que o álcool só faz efeito quando do seu sistema digestório e na circulação. Se você quebra o etanol antes disso, ele não não dá barato. Quem diria que o único jeito de evitar a ressaca é não ficar doidão, não é mesmo? (Contém ironia.)

Que vantagem Maria leva? Bom: se você curte tomar drinks, vinhos e cervejas só pelo sabor, o tal gel vem bem a calhar. Ele também é útil para situações em que você não se sentiria confortável bêbado, mas precisa participar de uma celebração mesmo assim – digamos, uma festa da firma constrangedora.

(É claro: não é legal nem recomendável estar em um ambiente em que você se sente coagido a usar uma droga contra sua vontade.)

Os principais beneficiários dessa tecnologia seriam pessoas que têm tolerância anormalmente baixa ao acetaldeido e não conseguem consumir as bebidas de que gostam essa é uma condição inata, de origem genética, bastante prevalente no leste da Ásia, onde aparece em 36% da população.

Até agora, os testes rolaram com ratinhos. A aplicação profilática do gel nos roedores foi bastante eficaz. Os camundongos que usaram o produto antes do primeiro gole registram níveis de álcool no sangue 40% menores que o normal nos primeiros 30 minutos após a ingestão da cachaça. Cinco horas após o gole, a diferença entre o grupo que usou o gel e grupo de controle foi de 56%.

Resta aguardar os testes em humanos para ver se esses resultados se repetem.

Fonte: abril

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