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Chikungunya em MT: 20 mil casos resultam em afastamento de trabalhadores devido a sequelas

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2026

Mato Grosso registrou mais de 20 mil casos de chikungunya em 2025 e lidera os índices de dor persistente após a infecção. As sequelas da doença, principalmente dores crônicas nas articulações, têm afastado trabalhadores da rotina profissional e acendido um alerta sobre os impactos da condição na saúde e na economia.

Diferentemente de um desconforto passageiro, a dor causada pela chikungunya pode permanecer por meses após a fase aguda da doença. Quando persiste por mais de três meses, passa a ser considerada dor crônica e pode comprometer atividades simples do dia a dia, como caminhar, levantar peso, permanecer muito tempo sentado ou executar movimentos repetitivos.

O problema tem reflexos diretos no mercado de trabalho. Em lavouras, indústrias, comércios e escritórios, trabalhadores com sequelas da chikungunya podem apresentar queda de rendimento, dificuldade para cumprir jornadas completas e maior risco de afastamento.

Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), os impactos do desgaste físico e da perda da capacidade funcional já representam uma perda equivalente a cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

De acordo com a Dra. Kellyn Ferreira, médica especialista em dor e docente do curso de Clínica em Dor da Afya Educação Médica Cuiabá, a dor persistente interfere não apenas na capacidade física, mas também na segurança e no desempenho do trabalhador.

“O trabalhador não consegue manter o mesmo desempenho, torna-se mais vulnerável a acidentes e, nos casos mais graves, pode até ser levado à aposentadoria precoce. Para o setor produtivo, isso significa o afastamento de um profissional que perdeu a capacidade de atuar com plenitude e segurança”, explica.

Além da limitação física, a dor crônica pode afetar o sono, o humor e a qualidade de vida. Pacientes com sequelas da chikungunya relatam dificuldade para retomar a rotina, irritabilidade, ansiedade e isolamento social, especialmente quando os sintomas se prolongam sem melhora significativa.

Pressionados pela necessidade de trabalhar e manter a renda, muitos pacientes recorrem ao uso frequente de analgésicos sem orientação médica. A especialista alerta que a automedicação pode mascarar problemas mais complexos e causar danos aos rins e ao estômago.

Como alternativa, procedimentos minimamente invasivos podem ser indicados para controle da dor em alguns casos. Apesar disso, muitos pacientes ainda enxergam esse tipo de tratamento como último recurso, o que pode atrasar a recuperação e prolongar o afastamento das atividades.

A avaliação com um especialista em dor é recomendada quando o desconforto se espalha por diferentes regiões do corpo, limita movimentos ou não é explicado por exames de imagem convencionais. Segundo a Dra. Kellyn, mesmo quando os exames não mostram alterações significativas, o sofrimento relatado pelo paciente deve ser investigado.

“Muitas vezes, os exames estruturais não apresentam alterações significativas, mas o sofrimento do paciente é real e contínuo. Nesses casos, a abordagem de um especialista em dor costuma ser mais direcionada e resolutiva do que a de um ortopedista generalista”, afirma.

Para evitar o agravamento do quadro, especialistas recomendam atenção aos sinais persistentes após a chikungunya, busca por atendimento adequado e cuidados durante a jornada de trabalho, como pausas para alongamento a cada 60 minutos.

O tratamento especializado busca controlar a dor, recuperar a funcionalidade e permitir que o trabalhador retome as atividades com mais segurança, conforto e qualidade de vida.

Fonte: primeirapagina

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