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Cheia do Rio Paraguai: Fazenda histórica no Pantanal se transforma em cenário exuberante

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2026

Quando o período chuvoso chega ao Pantanal, a Fazenda Descalvados parece mudar de lugar sem sair do mesmo ponto. As águas do Rio Paraguai avançam devagar pelos campos, cercam as antigas construções e transformam o patrimônio histórico de Cáceres em uma paisagem exuberante, onde ruínas, natureza e memória se misturam.

Localizada na margem direita do Rio Paraguai, a cerca de 135 quilômetros da área urbana de Cáceres, a fazenda já chama atenção por sua relevância histórica. As antigas construções, parte delas em ruínas, contrastam com a vegetação pantaneira e ajudam a contar a trajetória de um dos mais importantes empreendimentos econômicos do estado no final do século XIX.

Durante a cheia, porém, o local ganha uma beleza singular. O espelho d’água formado ao redor da propriedade amplia a sensação de imensidão típica do Pantanal e transforma a paisagem em um cartão-postal natural. Árvores refletidas na água, aves aquáticas e o lento movimento do Rio Paraguai compõem uma cena que muda conforme o ciclo das estações.

Segundo o historiador e antropólogo Acir Fonseca Montecchi, essa transformação é resultado do comportamento natural da planície pantaneira. A região passa por períodos de cheia e vazante que remodelam a paisagem ao longo do ano.

“No período da cheia, a água invade os campos. Isso modifica completamente a percepção da paisagem e evidencia uma característica fundamental do Pantanal, que é justamente essa dinâmica das águas”, explica.

Além da exuberância natural, Descalvados guarda um patrimônio histórico relevante. A propriedade foi tombada pelo Governo de Mato Grosso em 2001 e também possui proteção federal por abrigar um sítio arqueológico registrado. Embora não seja tombada pelo Iphan, o acautelamento arqueológico garante a preservação de parte de seu valor histórico.

Polo industrial

A fazenda viveu seu auge entre o fim do século XIX e o início do século XX, quando sediou uma indústria de caldo e extrato de carne que exportava produtos para os Estados Unidos e países da Europa. Na época, milhares de cabeças de gado eram processadas anualmente e transportadas pelo Rio Paraguai, que funcionava como uma importante rota comercial.

Hoje, as estruturas remanescentes convivem com a paisagem pantaneira e ajudam a preservar a memória de um período em que o interior de Mato Grosso mantinha relações comerciais com mercados internacionais. Nos meses de cheia, a união entre história e natureza torna Descalvados ainda mais impressionante, revelando um dos cenários mais emblemáticos do Pantanal mato-grossense.

Hoje a fazenda é voltada à produção agropecuária e ao turismo.

Fonte: primeirapagina

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