A geografia do choque de preços: batata e tomate lideram a pressão
O encarecimento da cesta, que já acumula alta de 4,88% no período e disparou 13,29% no comparativo anual (quando comparada aos R$ 784,74 de 2025), não é um movimento genérico. Ele carrega a assinatura direta do clima e da dinâmica logística do campo mato-grossense e das regiões produtoras abastecedoras.
O caso mais emblemático é o da batata, que registrou uma alta semanal impressionante de 36,25%, alcançando o custo médio de R$ 7,56/kg — valor que representa um salto de 116,85% em relação ao mesmo período do ano passado. Paralelamente, o tomate subiu 22,83%, chegando a R$ 11,07/kg, acumulando alta de mais de 102% em doze meses.
Como as intempéries climáticas afetam a mesa do mato-grossense
Para o IPF-MT, o fator determinante por trás dessa escalada reside nas instabilidades climáticas. As chuvas registradas em regiões produtoras não apenas dificultaram o ritmo das colheitas e provocaram danos físicos diretos aos frutos, como também coincidiram com o encerramento de ciclos de safra em algumas lavouras. Com a oferta restrita e canais logísticos pressionados, o impacto é repassado imediatamente ao consumidor final em Cuiabá e nos polos regionais do estado.
O reflexo do clima extremo também atinge as frutas. A banana, pressionada pelo calor intenso e pela baixa umidade nas áreas produtoras — fatores que comprometem a qualidade do produto e sua resistência no transporte —, registrou alta de 13,04% na semana, atingindo o valor médio de R$ 9,05/kg.
O impacto no orçamento das famílias
Ao comentar os dados da pesquisa, o presidente da Fecomércio-MT, José Sebastião dos Reis Gonçalves (Tião da Zaeli), pontuou que essas altas recorrentes comprimem de forma drástica a margem de manobra financeira dos lares mato-grossenses. Segundo o dirigente, a perda de espaço no orçamento destinada à alimentação limita a capacidade de consumo das famílias para outras áreas essenciais, tornando o planejamento doméstico um desafio constante diante das volatilidades do mercado agrícola.
Fonte: cenariomt





