Em um cenário que exibe pontos fortes e progressos, mas no qual ainda há muito a conquistar, o Brasil avançou quatro posições e alcançou o 53º lugar no Ranking Mundial de Competitividade Digital 2025, divulgado pelo IMD World Competitiveness Center (WCC), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). O resultado sinaliza uma recuperação gradual da competitividade digital brasileira, impulsionada por avanços em inovação, digitalização e adaptação às transformações tecnológicas globais
O estudo é feito anualmente pela escola de negócios suíça IMD (Institute for Management Development), que nesta última edição avaliou a capacidade de 69 nações em incorporar tecnologias digitais e transformá-las em inovação e desenvolvimento.
O ranking 2025 incluiu três novas economias: Quênia, Omã e Namíbia. Suíça, EUA e Singapura ocuparam as três primeiras posições, refletindo políticas de longo prazo voltadas à inovação, educação e desenvolvimento digital. As economias líderes se destacaram pela combinação de estabilidade institucional com investimentos contínuos em ciência e políticas de incentivo à formação de talentos.
Chile é principal destaque na América do Sul
A Venezuela ficou na última colocação no ranking global e o Chile foi o mais bem posicionado na América do Sul, conquistando a 43ª posição.
O ranking é elaborado a partir de dados estatísticos internacionais e de entrevistas com executivos, que levam em conta 61 indicadores, como conhecimento, infraestrutura tecnológica e capacidade de adaptação.
No Brasil, a FDC coletou respostas de mais de 100 executivos de diferentes setores, regiões e portes de empresas, assegurando representatividade nacional.
Publicações em pesquisas são elevadas
Apesar de a posição no ranking mundial não ser muito elevada, o Brasil obteve grande destaque em recortes como produtividade de publicações por pesquisas (9º lugar), investimentos privados em inteligência artificial (16º), número de robôs em educação e P&D (17º), uso de serviços públicos online (19º) e uso de smartphones (19º). O país apresentou melhora em três fatores-chave analisados: tecnologia (58º), conhecimento (56º) e prontidão para o futuro (50º), este último com o maior progresso, subindo três posições em relação ao ano anterior.
“Esses resultados reforçam o fortalecimento da economia do conhecimento e a aproximação entre universidades, centros de pesquisa e empresas”, afirmou Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da FDC.
Brasil ultrapassa África do Sul, Eslováquia, Bulgária e Turquia
Segundo matéria publicada no UOL, tendo como fonte o Estadão Conteúdo, após estagnar nos rankings de 2023 e 2024, o Brasil evoluiu e ultrapassou esse ano a África do Sul, Eslováquia, Bulgária e Turquia, nações que estavam à sua frente no ranking do ano passado.
Mas há ainda muito a fazer para que o Brasil conquiste mais destaque em competitividade digital. Entre os pontos que ainda limitam o avanço nacional estão a baixa transferência de conhecimento (65º lugar), a escassez de capital de risco (64º) e a atração de talentos estrangeiros (63º). Esses fatores revelam a necessidade de políticas mais robustas de integração entre universidades e empresas, estímulo a investimentos em inovação e maior abertura à mobilidade internacional de profissionais qualificados.
Preparação da força de trabalho
Para Hugo Tadeu, “a jornada brasileira rumo a um futuro digital competitivo depende da preparação da força de trabalho e da consolidação de um ecossistema que fomente ativamente a inovação”. Ele destacou, ainda, que a modernização regulatória e o fortalecimento da educação digital são pilares essenciais para que o país avance de forma sustentável.
A matéria publicada no UOL destacou como “imprescindível” uma revisão profunda das políticas educacionais e profissionais, privilegiando o treinamento técnico especializado, junto com o investimento estratégico em pesquisa e desenvolvimento. Em entrevista à imprensa, Hugo Tadeu afirmou que os investimentos em tecnologia também são afetados por desafios econômicos e pelo alto custo de financiamento.
“É óbvio que juros acima de 15% são um desafio para as empresas brasileiras e estrangeiras na expansão e acesso das tecnologias”, observou Tadeu, em referência ao atual patamar da taxa Selic.
Falta mão de obra qualificada
Ao explorar o problema da falta de mão de obra qualificada, o especialista ressaltou que a formação de mestres e doutores no Brasil se dá, em sua maioria, em áreas das ciências sociais, o que demonstra país precisa formar mais profissionais em engenharia e ciências da computação.
“O menor percentual está na formação em áreas técnicas, ao contrário do que acontece cada vez mais no mundo”, comentou o professor da FDC. Ele acrescentou que, para piorar o cenário, muitos engenheiros formados no Brasil não possuem habilidades de programação esperadas pelo mercado.
Fonte: cenariomt






