Economia

Brasil registra queda de 15% na busca por crédito e alcança 73,5 milhões de inadimplentes em dezembro de 2025

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O cenário de crédito no Brasil fechou 2025 com um claro recuo na demanda, refletindo a cautela e a fragilidade financeira das famílias. O Indicador de Demanda por Crédito da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil registrou uma queda expressiva de 15,08% no volume de consultas realizadas pelo setor financeiro na passagem de novembro para dezembro.

Apesar do forte recuo mensal, a comparação anual mostrou um leve crescimento de 1,41% em relação a dezembro de 2024. O perfil da busca por crédito em dezembro foi predominantemente masculino (54,10%), com maior concentração na faixa etária de 40 a 49 anos (24,36%).

Inadimplência recorde trava o acesso

Um dos fatores que mais pressionou o mercado foi o alto nível de endividamento. No momento da consulta, 35,60% dos consumidores já possuíam alguma restrição ativa em seu CPF. O Brasil atingiu a marca histórica de 73,49 milhões de negativados ao final de 2025, o que representa cerca de 44,02% da população adulta do país.

“O alto índice de inadimplência funciona como um ‘pedágio’ caro para a economia: ele eleva o risco bancário e torna a concessão extremamente seletiva. Não é por acaso que apenas 1,55% dos consultados conseguiram efetivar uma contratação”, aponta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Contratações focadas em fluxo de caixa

Entre o pequeno grupo que obteve aprovação, a grande maioria buscou soluções para necessidades imediatas: empréstimos representaram 75,44% das contratações, enquanto os financiamentos ficaram com 23,22%.

A região Sudeste concentrou quase metade (45,04%) da demanda nacional por crédito em dezembro, seguida pelo Nordeste (21,61%), Sul (17,87%), Centro-Oeste (8,63%) e Norte (6,85%).

Impacto severo na economia

O presidente da CNDL, José César da Costa, alerta para as consequências macroeconômicas do cenário. “Manter-se fora da inadimplência tornou-se um desafio hercúleo para as famílias. Quando quase metade da população adulta está negativada, o comércio esfria, a inadimplência encarece os juros para quem paga em dia e cria-se um círculo vicioso onde a falta de crédito impede a recuperação”, destacou.

Os dados reforçam o desafio de reaquecer o consumo e facilitar o acesso ao crédito em um ambiente marcado por endividamento elevado e forte seletividade por parte das instituições financeiras.

Fonte: cenariomt

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