O governo brasileiro está atuando para reduzir o tempo de deslocamento aéreo entre o Brasil e o Senegal, na costa oeste da África. A iniciativa tem como objetivo fortalecer o comércio, o turismo e a integração econômica entre os dois países e a região.
Atualmente, não existem voos diretos entre Brasil e Senegal. Em muitos casos, os passageiros precisam fazer conexões em cidades como Dubai ou em hubs europeus, o que amplia significativamente a duração das viagens.
Em linha reta, a distância entre Natal (RN) e o Senegal é de aproximadamente 2,9 mil quilômetros, o que torna a rota relativamente curta em comparação com conexões indiretas que chegam a dobrar ou triplicar esse trajeto.
A informação sobre a articulação para reduzir o tempo de voo foi confirmada por representante diplomática brasileira no Senegal, durante participação no Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, realizado na capital senegalesa.
Segundo a diplomata, a ausência de conexão direta cria um ciclo que limita o crescimento das relações bilaterais. Sem escala suficiente, o fluxo de passageiros e cargas permanece baixo, o que, por sua vez, dificulta a abertura de novas rotas aéreas.
Ela destacou reuniões com autoridades senegalesas e com a companhia aérea estatal do país, além da possibilidade de ampliar parcerias com empresas de aviação de outras regiões, como forma de viabilizar acordos de compartilhamento de voos.
Entre as estratégias avaliadas está o modelo de codeshare, no qual companhias aéreas compartilham rotas e passageiros, permitindo maior conectividade sem a necessidade imediata de voos diretos.
No campo histórico, Brasil e Senegal mantêm relações diplomáticas desde a década de 1960. Os dois países também compartilham vínculos culturais e históricos profundos, incluindo referências à diáspora africana no Brasil.
Em termos comerciais, o intercâmbio entre os países alcançou centenas de milhões de dólares recentemente, com predominância de exportações brasileiras. Autoridades apontam potencial para maior diversificação dos produtos senegaleses enviados ao Brasil.
Projetos de cooperação incluem iniciativas na área agrícola, genética animal, educação e defesa. Um dos destaques é a instalação de uma indústria de genética agrícola no Senegal, com investimento inicial estimado em 20 milhões de dólares e previsão de geração de empregos diretos e indiretos.
Segundo autoridades envolvidas, a iniciativa pode contribuir para a autossuficiência alimentar do Senegal e redução de custos de produção no setor avícola, além de promover transferência de tecnologia.
Representantes dos dois países também reforçam a importância do multilateralismo e da cooperação internacional em um cenário global considerado instável. A aproximação inclui discussões sobre reformas em organismos internacionais e maior participação de países do Sul Global.
Autoridades senegalesas destacaram ainda o papel do país africano na promoção da paz regional e sua atuação em missões internacionais, ressaltando convergências com o Brasil em temas de diplomacia e segurança.
Fonte: cenariomt





