Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro pediram o afastamento do ministro Alexandre de Moraes da investigação de uma suposta tentativa de golpe. Bolsonaro e aliados sĂŁo alvos de inquĂ©rito da que culminou com a Operação Tempus Veritatis. Para a defesa, Moraes se diz vĂtima do suposto crime e, mesmo assim, se mantĂ©m no caso, o que afronta a regra de imparcialidade do julgador
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A arguição de impedimento foi protocolada no STF na quarta-feira 14 e Ă© assinada pelo advogado e outros profissionais. O pedido foi direcionado ao presidente do STF, ministro LuĂs Roberto Barroso. AlĂ©m do afastamento de Moraes, a defesa de Bolsonaro quer a anulação de todos os atos adotados por Moraes atĂ© agora. Â

Na petição, os advogados afirmam que Moraes Ă©, ao mesmo tempo, vĂtima e juiz do processo, o que Ă© proibido pela legislação brasileira. A existĂŞncia de um juiz imparcial para o julgamento de uma casa Ă© uma regra de todos os regimes democráticos.
“Tanto o conteĂşdo da representação [da PolĂcia Federal que investiga a suposta tentativa de golpe] quanto a decisĂŁo revelam, de maneira indubitável, uma narrativa que coloca o ministro relator no papel de vĂtima central das supostas ações que estariam sendo objeto da investigação, destacando diversos planos de ação que visavam diretamente sua pessoa”, escreveram os advogados.
Eles mencionam o suposto “plano que teria como episódio central a prisão do próprio Ministro Alexandre de Moraes, na oportunidade já presidente do Egrégio Tribunal Superior Eleitoral, e supostamente protagonista de disfuncionalidades no processo eleitoral de 2022”.
A equipe de Wajngarten contabilizou mais de 20 menções a Moraes na prĂłpria decisĂŁo que autorizou a operação de busca e apreensĂŁo contra Bolsonaro e aliados em 8 de fevereiro. Isso desenha “um contexto que torna evidente e fortemente questionada a sua imparcialidade objetiva e subjetiva para decidir nestes autos, dada sua posição de vĂtima”, escreveram os advogados.
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Para os profissionais, a decisĂŁo tambĂ©m deixa claro que Moraes “se vĂŞ e assim se descreve como vĂtima direta das condutas investigadas nos presentes autos, demonstrando seu claro e inevitável interesse no deslinde processual”.
Um fato citado pelos advogados Ă© a decretação da prisĂŁo preventiva do coronel do ExĂ©rcito Marcelo Câmara, “sob o pretexto de que o mesmo teria monitorado sua agenda de compromissos e localização ao final do ano de 2022”. Isso significa, dizem os profissionais, que Moraes mandou prender “quem supostamente lhe inflige receio pessoal, ou seja, assumiu, a um sĂł tempo, a condição de vĂtima e de julgador”.
Fonte: revistaoeste





