A Câmara Setorial Temática (CST) sobre Feminicídio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realiza, nesta terça (31), às 19h, uma audiência pública em Lucas do Rio Verde para debater o feminicídio no estado. O encontro será realizado na Câmara Municipal e contará com a participação da suplente de deputada estadual Edna Sampaio, presidente da Câmara Temática, e será conduzida pela vereadora Débora Carneiro.
A atividade integra um ciclo de audiências promovido pela CST em articulação com parlamentares da capital e do interior, com o objetivo de discutir o relatório preliminar da comissão sobre feminicídio em Mato Grosso. O estudo aponta que o problema não é isolado, mas resultado de falhas estruturais e omissões do poder público.
Na mesma data e horário, também será realizada audiência simultânea em Campo Novo do Parecis, na Câmara Municipal, sob condução do vereador Elias Barriga.
O ciclo de debates já passou por outros municípios. As primeiras audiências ocorreram em Cáceres, no dia 24, na Câmara Municipal, com condução do vereador Cezare Pastorello (PT) e participação de Edna Sampaio. Em seguida, no dia 25, Várzea Grande sediou o encontro, também na Câmara Municipal, sob condução da vereadora Gisa Barros (PSB), com presença da presidente da CST.
Na capital, Cuiabá, a audiência foi realizada no dia 26, no auditório Milton Figueiredo, na Assembleia Legislativa, sob condução do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), também com participação de Edna Sampaio.
O relatório preliminar da Câmara Setorial Temática foi elaborado com base em dados de diferentes instituições, como o Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Atlas da Violência, do Ipea, e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados revelam a gravidade do cenário no estado. Entre 2022 e 2025, Mato Grosso registrou 195 feminicídios. Em 2025, houve aumento para 54 casos, após três anos de estabilidade. Em 2024, a taxa foi de 2,47 feminicídios por 100 mil mulheres, acima da média nacional, de 1,34. Em 2026, até 13 de março, já haviam sido registrados sete casos.
Segundo Edna Sampaio, a iniciativa busca mobilizar parlamentares para tratar o feminicídio como uma questão de Estado.
“Não são casos isolados. A violência contra a mulher é um problema de Estado. Quando se busca proteger o patrimônio, a segurança pública é acionada. Quando a meta é educar as crianças, recorremos à política de educação. Se faltam medicamentos, sabemos que o SUS, uma instituição pública, é o responsável. Mas quando uma mulher é assassinada, de quem é a responsabilidade?”, questionou.
Ela também destacou a importância do debate no contexto eleitoral. “Este ano temos eleições, e, se não propusermos a debater o assunto feminicídio como uma questão central de políticas públicas, vamos continuar tratando os casos como curiosidades mórbidas, perversas, sobre a capacidade humana de impor sofrimento ao outro”, afirmou.
A CST sobre Feminicídio tem como vice-presidente a defensora pública Rosana Leite. Também integram a comissão Karime Oliveira Dogan, da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MT; Sheila Klener, suplente de deputada pelo PSDB; e Claire Vogel Dutra, promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e do Observatório Caliandra, além de servidoras dos três poderes e representantes da sociedade civil. (com Assessoria ALMT)
Fonte: cenariomt





