A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou uma nova fase com foco na redução das filas de análises e no estímulo a inovações nacionais em saúde. Desde agosto de 2025, a agência é presidida pelo economista Leandro Safatle, aprovado pelo Senado para o cargo após o fim do mandato de Antônio Barra Torres.
O novo presidente assumiu em um cenário de rápidas descobertas científicas, especialmente na área da saúde, enquanto os processos regulatórios ainda enfrentam desafios para acompanhar esse ritmo. Segundo Safatle, a prioridade agora é fortalecer a capacidade da agência sem abrir mão do rigor técnico e da segurança sanitária.
Um dos destaques recentes foi a autorização para o início da primeira fase de estudos clínicos da polilaminina, medicamento desenvolvido por pesquisadores brasileiros para o tratamento de lesão na medula espinhal. O estudo envolve cinco pacientes e tem como objetivo principal avaliar a segurança do produto, etapa inicial antes das fases voltadas à comprovação de eficácia.
Safatle ressaltou que o projeto simboliza um avanço importante ao reunir pesquisa, desenvolvimento e inovação realizados integralmente no país. A Anvisa informou que dará prioridade regulatória ao acompanhamento desse e de outros projetos considerados estratégicos para a saúde pública.
Para organizar esse acompanhamento, a agência criou o Comitê de Inovação, que selecionou quatro iniciativas prioritárias: a polilaminina, a vacina contra a Chikungunya, o método Wolbachia para o combate à dengue e o desenvolvimento de endopróteses. O grupo atua de forma integrada com a alta gestão para apoiar as áreas técnicas durante as análises.
Outra frente de atuação é o enfrentamento do acúmulo de processos. Em dezembro, a Anvisa aprovou medidas excepcionais e temporárias para otimizar a fila de análises, com a meta de reduzir o volume pela metade em seis meses e normalizar os prazos em até um ano. As ações incluem força-tarefa interna, uso de dados regulatórios internacionais e análises conjuntas de produtos semelhantes.
De acordo com a direção da agência, essas iniciativas não representam flexibilização das regras. O objetivo é aprimorar a gestão de pessoas e processos para ganhar eficiência, mantendo o mesmo nível de exigência científica.
O plano conta ainda com o reforço de 100 novos especialistas, aprovados em concurso público e em fase final de nomeação. Trata-se do maior ingresso de servidores na Anvisa nos últimos dez anos, com atuação prioritária na redução das filas.
Paralelamente, a Anvisa passa por um processo de qualificação junto à Organização Mundial da Saúde. A expectativa é consolidar o reconhecimento internacional da agência como autoridade sanitária de referência nas Américas e no cenário global.
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Fonte: cenariomt






