SaĂșde

Abelhas-rainhas: Descubra como elas conseguem respirar debaixo d’ĂĄgua

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2026

Muitas das grandes descobertas cientĂ­ficas da histĂłria aconteceram por acidente. O exemplo mais famoso Ă© o da penicilina: voltando de suas fĂ©rias apĂłs um verĂŁo particularmente quente, em 1928, o mĂ©dico escocĂȘs Alexander Fleming notou que uma das culturas de bactĂ©rias que vinha estudando havia sido dominada por colĂŽnias de fungos. As bactĂ©rias  morreram – e, analisando as amostras de mofo, Fleming percebeu que ele havia descoberto o primeiro antibiĂłtico da histĂłria.

Não foi muito diferente quando, em 2021, a pesquisadora Sabrina Rondeau retornou para o seu laboratório na Universidade de Guelph, no Canadá, e deu de cara com algumas de suas preciosas abelhinhas-rainhas completamente submersas. Da noite para o dia, dentro do refrigerador, seis dos tubinhos que abrigavam as pequenas mamangavas durante seus longos cochilos de inverno haviam sido inteiramente inundados – por causa da condensação do vapor de água da geladeira. Teriam todas elas afogado?

A resposta Ă© nĂŁo: quatro delas sobreviveram o tempo inteiro em que estiveram submersas, e continuaram se mexendo com naturalidade depois de saĂ­rem da ĂĄgua. Por acidente, os cientistas haviam descoberto que essas abelhas-rainhas eram capazes de sobreviver por dias em um torpor subaquĂĄtico. E agora, em estudo publicado no periĂłdico Proceedings of the Royal Society B, eles demonstram que elas efetivamente respiram debaixo da ĂĄgua.

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Naquela Ă©poca, Rondeau e seus colegas estudavam a hibernação de uma espĂ©cie comum de mamangavas – um tipo de abelha grande e peludinha, do gĂȘnero Bombus. Para sobreviver ao inverno, as Bombus impatiens rainhas se enfiam em buracos no chĂŁo e entram em um estado de dormĂȘncia profunda chamado “diapausa”, que pode durar de seis a nove meses. Assim, essas rainhas mais novas conseguem conservar energia para criar novas colĂŽnias com a chegada da primavera, quando a maioria das abelhas da colĂŽnia antiga jĂĄ morreu de frio.

Nesse meio tempo, seus metabolismos diminuem 99%, e esses insetos ficam expostos a uma variedade de estressores, desde mofo até certas toxinas do solo. Além, claro, das inundaçÔes que acontecem quando a neve começa a derreter.

A pesquisa era focada nas toxinas, ou melhor, em como a presença de certos agrotĂłxicos no solo afetava o sono das rainhas (surpreendentemente, elas preferem quando o solo tem pesticidas, o que pode ser um problemĂŁo para a saĂșde delas). Para isso, eles colocaram vĂĄrias abelhas-rainhas dentro de tubinhos contendo terra tratada com diferentes tipos de toxinas, e guardaram todas em um refrigerador que simulava as condiçÔes frias do inverno.

Esse estudo saiu em 2024, mas a descoberta das aptidĂ”es aquĂĄticas daquelas quatro mamangavas motivou os pesquisadores a criarem outro estudo, em que colocaram mais de uma centena de abelhas-rainha para dormir em tubinhos inundados por perĂ­odos de 8 horas, 24 horas e uma semana. Das 21 que passaram uma semana debaixo d’água, 17 sobreviveram – uma mortalidade bem prĂłxima do grupo controle, que passou a semana sem nem se molhar.

No novo artigo, os pesquisadores exploraram o mecanismo por trås disso. 51 abelhas foram deixadas em diapausa por quatro a cinco meses, antes de passarem um período de oito dias dentro da ågua. Enquanto isso, os cientistas monitoravam o ritmo metabólico e as mudanças fisiológicas de cada inseto.

Enquanto submersas, o metabolismo das abelhas ficou ainda mais devagar; e, medindo os nĂ­veis de CO2 no lĂ­quido, a equipe descobriu que as abelhas continuavam trocando gases mesmo debaixo da ĂĄgua. Ou seja, desacelerando ainda mais o funcionamento do corpo, as rainhas conseguiam tirar proveito do pouco oxigĂȘnio que fica misturado na ĂĄgua, efetivamente respirando.

Observar as abelhinhas acordando aos poucos era algo reconfortante, o professor Rondeau relata Ă  Science. “Toda vez, eu ficava empolgado”, diz. “A capacidade deles de suportar essas condiçÔes Ă© realmente notĂĄvel”.

Elas, porĂ©m, nĂŁo se limitam apenas ao oxigĂȘnio escasso. Os pesquisadores tambĂ©m verificaram um acĂșmulo de ĂĄcido lĂĄtico no corpo das abelhas, um sinal de que elas tambĂ©m possuĂ­am um metabolismo anaerĂłbico, que produz energia sem a necessidade de oxigĂȘnio. Tanto que, quando voltaram Ă  terra firme, o ritmo metabĂłlico das abelhas disparou por dois ou trĂȘs dias – uma fase de recuperação que serve para tirar o excesso de ĂĄcido lĂĄtico no organismo – e logo voltou ao normal.

E como mediram isso? Em humanos, Ă© mais fĂĄcil. Basta medir a concentração de lactato com um exame de sangue. Para as abelhas, as possibilidades sĂŁo bem mais limitadas. Por isso, os cientistas tiveram que congelar as abelhas em cada estĂĄgio da hibernação, triturĂĄ-las e, com a carne moĂ­da restante, medir a presença dessa substĂąncia. Nada legal, mas foi pela ciĂȘncia.

O prĂłximo passo, agora, Ă© descobrir como exatamente as rainhas conseguem extrair o oxigĂȘnio da ĂĄgua sem afogar. Alguns besouros aquĂĄticos criam uma bolha de ar para respirar enquanto submersos, uma chamada brĂąnquia fĂ­sica. Essa, para os autores, Ă© a principal hipĂłtese – a bolha de ar pode estar escondida embaixo dos pelinhos dos bichos.

Essa é uma linha de pesquisa, por enquanto, bem pouco explorada. Existem poucos estudos sobre o que as cerca de 250 espécies de mamangavas fazem durante suas reclusÔes no inverno, e é possível que essa adaptação seja comum também entre as outras espécies.

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// tags (keyvalue GAM): lê de cd.keywords (string CSV), NÃO de cd.tag (editorias).
// cd.keywords vem como string separada por vírgulas, podendo conter rn e itens vazios.
// Ex: “um,filme,,sa,vida,passa,,sa,cabeça,quando,morremos?rn,mundo,estranho”
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// Normaliza quebras de linha para vírgula antes de fazer o split
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var t = sanitizeText(keywordsArray[i]).replace(/s/g, '-');
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tags = sanitizedTags.join(',');
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// tipo_pagina: sanitizado, sem espaços
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// marca_canal = marca/editoria
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// Montar keyvalues (somente chaves com valor)
var keyvalues = '';
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Fonte: abril

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