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Análise aponta pouca mudança em AL e possível renovação da metade da bancada de MT

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2026

As eleições deste ano podem produzir dois cenários distintos na composição das bancadas de Mato Grosso. Enquanto a Assembleia Legislativa deve passar por uma renovação mais contida, com a entrada de seis ou sete novos deputados, a Câmara Federal poderá trocar quase metade dos representantes do Estado. A projeção é do analista político Vinícius Carvalho, entrevistado do Agora Pod.

Mato Grosso elege 24 deputados estaduais e oito federais. A quantidade de cadeiras nas assembleias corresponde ao triplo da representação de cada Estado na Câmara dos Deputados. Na avaliação de Vinícius, a saída da deputada Janaina Riva (MDB) da disputa estadual para concorrer ao Senado abrirá uma das vagas na Assembleia naturalmente, mas para além dela, entre cinco e seis parlamentares que buscarão a reeleição poderão perder o mandato.

“Eu tenho falado em seis a sete novos. A Janaina e mais cinco ou seis. Então, seis ou sete atuais não se reelegem e seis ou sete novos vêm”, projetou.

Caso a previsão se confirme, a renovação da Assembleia ficará entre 25% e 29% das cadeiras. O índice é significativo, mas ainda representa a manutenção de aproximadamente dois terços da atual composição.

Vinícius avalia que deputados com mandatos consolidados, bases municipais organizadas e volume expressivo de emendas largam com vantagem na tentativa de permanecer na Casa. A estrutura dos partidos e federações também será determinante, já que uma votação individual relevante pode não ser suficiente quando a chapa não alcança desempenho para conquistar cadeiras.

Atuais sob risco

Entre os parlamentares que podem enfrentar maior dificuldade, o analista citou Elizeu Nascimento (Novo), Wilson Santos (PSD), Valdir Barranco (PT), Júlio Campos (União), Dr. Eugênio (Republicanos) e Moretto (Republicanos).

No caso de Elizeu, a avaliação está relacionada à possibilidade de o Novo não alcançar votação suficiente para eleger um deputado estadual. Vinícius reconheceu, contudo, que o partido trabalha com a expectativa de superar a cláusula de desempenho.

Wilson Santos também foi colocado entre os nomes sob risco devido à disputa interna no PSD. Apesar da projeção, Vinícius ressaltou a qualificação e a atuação parlamentar do deputado.

“O Wilson Santos pode perder. É doloroso, porque é um deputado que presta um serviço de alta relevância ao Estado pelas bandeiras que defende. Independentemente de orientação política, é um deputado qualificado. A Assembleia ficaria mais pobre sem ele”, declarou.

Na Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, Valdir Barranco deverá enfrentar uma chapa competitiva. Vinícius citou Lúdio Cabral, José Carlos do Pátio, Henrique Lopes e a vereadora Edna Sampaio entre os nomes que podem participar da disputa pelas vagas do grupo.

A avaliação é que Lúdio aparece fortalecido, enquanto Barranco terá de disputar diretamente a segunda cadeira — ou uma eventual terceira vaga — com outros candidatos da federação. Dentre os mais prováveis está o ex-prefeito de Rondonópolis, Zé do Pátio.

No Republicanos, a dificuldade decorre do excesso de nomes competitivos. Vinícius classificou a formação como uma “chapa da morte”, com mais candidatos em condições de disputar mandato do que vagas provavelmente conquistadas pelo partido.

Moretto e Dr. Eugênio aparecem entre os atuais que podem ser atingidos pela renovação, enquanto nomes ligados à estrutura do Governo também entram na disputa.

Já no União Brasil, o analista considera Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende mais consolidados e vê Júlio Campos numa situação mais vulnerável. O desempenho da federação com o PP e a definição das alianças majoritárias poderão influenciar diretamente quantas cadeiras o grupo conquistará.

Novos nomes na disputa

Entre os possíveis novos deputados estaduais, Vinícius destacou Rafaela Fávaro (PSD), Samantha Iris (PL), Ari Lafin (Republicano), Alan Porto (Republicanos), Allan Kardec (Podemos) e Gilberto Figueiredo (Republicanos).

Rafaela deverá contar com a estrutura política do pai, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e poderá construir dobradinhas regionais durante a campanha. Para o analista, ela tem condições de alcançar uma votação entre 40 mil e 50 mil votos. Samantha Iris, primeira-dama de Cuiabá, também foi colocada entre os nomes mais competitivos. A candidatura deverá ser impulsionada pela estrutura política do prefeito Abilio Brunini (PL), especialmente na Capital.

“’Dona Samantha Iris’ é deputada praticamente eleita. Quarenta, 50 mil votos. Tem gente falando em 70 mil, mas acredito numa faixa entre 40 mil e 50 mil”, estimou.

No interior, Ari Lafin, ex-prefeito de Sorriso, aparece como um dos nomes com maior força regional. Alan Porto, ex-secretário estadual de Educação, e Gilberto Figueiredo, que comandou a Secretaria de Estado de Saúde, deverão disputar o eleitorado ligado aos serviços públicos e às estruturas que administraram.

Vinícius considera Alan Porto mais competitivo, principalmente pelo histórico de secretários de Educação que conseguiram transformar a visibilidade do cargo em votos. Allan Kardec, ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, também foi incluído entre os candidatos com possibilidade de retornar à Assembleia.

No PSDB, Carlos Avallone aparece como o nome mais consolidado. A segunda vaga, segundo o analista, deverá ser disputada entre Juca do Guaraná e Chico Guarnieri. A empresária Sheila Klener poderá surpreender, mas largaria atrás dos atuais parlamentares.

No MDB, Doutor João e Thiago Silva foram apontados como favoritos à reeleição. A terceira vaga deverá ser disputada por Eduardo Botelho, que estaria correndo o risco de ficar de fora da Assembleia, além de Jéssica Riva, irmã de Janaina, que deve puxá-la como pré-candidata ao Senado, além de Leonardo Bertolin, ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios e ex-prefeito de Primavera do Leste.

Ao contrário de avaliações de bastidores que colocam Thiago sob risco, Vinícius aposta na permanência do parlamentar, que saiu derrotado na disputa pela Prefeitura de Rondonópolis em 2024.

Câmara pode mudar mais

O cenário projetado para a Câmara Federal é de maior renovação. Das oito cadeiras de Mato Grosso, Vinícius acredita que três ou quatro poderão ser ocupadas por novos deputados.

“Na Câmara dos Deputados, a renovação pode chegar a 50%, ou perto disso”, afirmou.

Na eleição de 2022, o PL conquistou quatro das oito vagas de Mato Grosso, fenômeno que não deve se repetir com a mudança nas regras para esta eleição, enquanto União Brasil e MDB ficaram com duas cadeiras cada.

Para Vinícius, o PL dificilmente repetirá o mesmo desempenho. A disputa deste ano ocorrerá sob as regras do sistema proporcional e da distribuição das sobras eleitorais. Na primeira etapa das sobras, partidos ou federações precisam atingir ao menos 80% do quociente eleitoral e apresentar candidato com votação mínima correspondente a 20%. As cadeiras que ainda permanecerem abertas são distribuídas posteriormente entre todas as legendas participantes.

“O que o PL fez na eleição passada não faz mais. Não elege quatro. Se eleger dois, já será um resultado muito bom”, avaliou.

O analista vê o coronel Assis e a coronel Fernanda entre os principais nomes do partido, mas avalia que os dois disputarão diretamente o espaço. Também chamou a atenção para candidatos ligados às redes sociais, especialmente no Nortão, que podem repetir fenômenos eleitorais semelhantes ao de Nelson Barbudo em 2018, como Thiago Boava, viúvo de Amália Barros, eleita em 2022.

União Progressista pode fazer maior bancada

A Federação União Progressista aparece, na projeção de Vinícius, com maior possibilidade de conquistar duas vagas e disputar uma terceira. Os principais nomes são Fábio Garcia, Virgínia Mendes, Nilson Leitão e Gisela Simona.

Fábio Garcia tentará a reeleição apoiado por candidatos estaduais e pela estrutura governista. Virgínia Mendes, por sua vez, deverá disputar parte do mesmo eleitorado, com forte vinculação à administração estadual e aos projetos sociais coordenados durante o governo Mauro Mendes.

Apesar da sobreposição de bases, os votos individuais ajudam a soma da federação. O desafio será fazer com que três candidatos alcancem votações elevadas o suficiente para ampliar a bancada.

Nilson Leitão também não pode ser descartado. Vinícius lembrou que o ex-deputado já esteve entre os candidatos mais votados do Estado e mantém ligação com o agronegócio e com lideranças do interior.

“Fábio, Virgínia e Nilson podem ficar numa faixa alta. Se os três alcançarem entre 80 mil e 100 mil votos, a federação pode trabalhar com a terceira cadeira”, afirmou.

Neri aparece como favorito no Podemos

No Podemos, o ex-deputado federal Neri Geller foi apontado como o candidato mais forte. Vinícius avalia que o partido deve conquistar uma vaga e que Neri larga à frente de nomes como Nelson Barbudo, Pastor Marcos Ritela e Coronel Roveri.

O retorno de Neri também interessaria a setores do agronegócio, que pretendem ampliar a representação de Mato Grosso e a influência do Estado na Frente Parlamentar da Agropecuária. Para Vinícius, a estrutura do setor trabalha com diferentes candidaturas: Pivetta ao governo, Mauro Mendes e Carlos Fávaro ao Senado e Nilson Leitão e Neri Geller para a Câmara Federal.

A composição não depende necessariamente de uma aliança partidária formal. O objetivo seria garantir representação em diferentes grupos políticos e manter canais de interlocução independentemente do resultado da disputa majoritária.

Emanuelzinho e Irajá disputam espaço no PSD

No PSD, a projeção é de uma disputa direta entre Emanuelzinho e Irajá Lacerda pela principal vaga da chapa.

Vinícius avalia que ambos podem alcançar uma faixa semelhante de votos. Emanuelzinho tem a vantagem do mandato e da passagem pelo Governo Federal, mas perdeu parte das estruturas municipais que o ajudaram na eleição anterior.

O pai, Emanuel Pinheiro, não comanda mais a Prefeitura de Cuiabá, enquanto Kalil Baracat deixou a Prefeitura de Várzea Grande. Além disso, a participação do deputado na base do presidente Lula pode afastar eleitores mais identificados com o bolsonarismo.

Por outro lado, a atuação de Emanuelzinho no Ministério da Agricultura durante parte do atual Governo pode ajudá-lo a manter relações com prefeitos, produtores e lideranças do interior.

Irajá Lacerda também possui vínculos com o agronegócio e deverá disputar o mesmo campo eleitoral. Para Vinícius, a movimentação de Emanuel Pinheiro em defesa de uma candidatura ao Governo pode fazer parte de uma estratégia para aumentar o poder de negociação em favor do filho.

Chapas definirão mais que votação individual

Apesar de citar favoritos e candidatos sob risco, Vinícius ressaltou que as projeções dependem da composição final das chapas, das alianças e do desempenho coletivo de cada partido ou federação.

No sistema proporcional, o eleitor vota no candidato, mas o resultado também depende da soma de votos obtida pela legenda. Dessa forma, candidatos bem votados podem ficar sem mandato, enquanto outros, com votação individual menor, podem ser eleitos por integrarem uma chapa mais forte.

A diferença entre os cenários da Assembleia e da Câmara também decorre da quantidade de cadeiras. Na disputa estadual, a existência de 24 vagas permite que partidos com chapas fortes preservem boa parte dos atuais parlamentares. Já na eleição federal, cada mudança representa 12,5% de toda a bancada mato-grossense.

Com apenas oito vagas em jogo, a saída de candidatos que buscarão outros cargos, a reorganização partidária e a concentração de nomes competitivos dentro das mesmas federações podem provocar uma renovação proporcionalmente maior em Brasília.

A projeção de Vinícius, portanto, aponta para uma Assembleia ainda dominada por deputados já conhecidos, apesar da entrada de seis ou sete novos nomes. Na Câmara Federal, o eleitor poderá encontrar uma bancada bem diferente: até quatro dos oito representantes de Mato Grosso poderão iniciar o próximo mandato pela primeira vez ou retornar a Brasília após um período fora do Congresso.

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Fonte: leiagora

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