O elevado volume de chuvas registrado em Mato Grosso entre os dias 25 e 30 de janeiro acendeu um sinal de alerta entre os produtores de algodão, principalmente pelo aumento do risco de doenças associadas ao excesso de umidade nas lavouras. O cenário foi destacado no relatório de situação das lavouras divulgado pela Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), que monitora o desenvolvimento da safra no estado.
De acordo com o levantamento, períodos prolongados de instabilidade climática vêm influenciando diretamente o ritmo das atividades agrícolas, reduzindo a velocidade de implantação das lavouras em algumas regiões, embora o plantio siga dentro do esperado e com bom estabelecimento inicial das plantas.
Entre as principais preocupações sanitárias está a chamada “mela” (Rhizoctonia solani), doença causada por fungos que atacam a planta ainda na fase inicial de desenvolvimento, provocando lesões oleosas, necrose e, nos casos mais severos, a morte das plântulas. O mesmo patógeno também pode provocar o tombamento das plantas, conhecido tecnicamente como damping-off, situação que compromete diretamente a formação do estande das lavouras.
Além das doenças, o relatório aponta aumento na pressão de pragas como mosca-branca, tripes, pulgões e lagartas, exigindo intensificação do monitoramento e adoção de estratégias preventivas nas áreas produtoras. Mesmo diante desse cenário, o bicudo-do-algodoeiro segue como o principal foco de atenção da safra, devido ao potencial de causar prejuízos expressivos caso o manejo não seja realizado de forma rigorosa desde o estabelecimento da cultura. A presença do inseto, inclusive, já foi associada a desafios produtivos em safras recentes no estado, reforçando a necessidade de controle contínuo.
As chuvas também provocaram atraso parcial no plantio do algodão. Ainda assim, a semeadura segue dentro do ritmo considerado normal para o período, com avanço entre aproximadamente metade e grande parte das áreas previstas, mantendo boa germinação e desenvolvimento inicial das plantas, segundo dados técnicos divulgados pela entidade.
O presidente da Ampa, Orcival Guimarães, avaliou que, apesar dos desafios, o período também trouxe condições favoráveis ao desenvolvimento da cultura. “Essa última semana de janeiro pode ser considerada favorável aos produtores de algodão, mas a Ampa recomenda a manutenção de estratégias integradas de controle para reduzir focos iniciais de infestação e preservar o potencial produtivo da cultura nesta safra”, destacou.
O monitoramento constante das lavouras e a adoção de manejo integrado seguem como principais ferramentas para reduzir impactos causados pelo clima e garantir o desempenho produtivo do algodão mato-grossense ao longo do ciclo 2025/26.
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Fonte: cenariomt






