O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) garantiu, por meio de mesa tĂ©cnica concluĂda nesta segunda-feira (2), a permanĂŞncia de servidores estabilizados que ingressaram no RPPS atĂ© 31/12/1999 no Regime PrĂłprio de PrevidĂŞncia Social (RPPS) estadual, desde que cumpridos outros requisitos.
A solução tem como referência marco temporal do Supremo Tribunal Federal (STF) adotado em junho deste ano, a partir do julgamento do Recurso Extraordinário 1426306, que restringiu a aposentadoria pelo RPPS a servidores estabilizados que cumprem requisitos até 18/06/2024.
“É uma conquista significativa para o Estado de Mato Grosso e, sobretudo, para os servidores que dedicaram suas vidas ao serviço público. Mais uma vez, mostramos que o diálogo e o consenso são os melhores caminhos para enfrentar desafios e fortalecer a administração pública”, destacou o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo.
Considerando que o posicionamento do STF tambĂ©m permitiu a preservação de direitos adquiridos, contemplando aposentadorias e pensões já concedidas ou cujos requisitos foram cumpridos atĂ© a data da publicação da ata de julgamento, o caminho tĂ©cnico-jurĂdico apresentado pelo TCE-MT definiu critĂ©rios claros para registrar aposentadorias sem comprometer o equilĂbrio financeiro do estado e do MTPrev. Um deles Ă© que os servidores estabilizados devem possuir 30 anos ou mais de tempo de contribuição ou 25 anos contĂnuos.
“Estamos fazendo justiça com critĂ©rios jurĂdicos e critĂ©rios tĂ©cnicos. O Tribunal de Contas marca, mais uma vez, uma presença importante como ĂłrgĂŁo que faz controle externo buscando solução, e nĂŁo para obstar o desenvolvimento do estado”, explicou o conselheiro Valter Albano, presidente da ComissĂŁo Permanente de Normas, JurisprudĂŞncia e Consensualismo (CPNJur), responsável pelo trabalho.
Sob relatoria do conselheiro Waldir Teis, a mesa técnica foi requerida pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Mato Grosso (Seplag-MT) e pela Procuradoria Geral do Estado (PGE-MT).
Neste contexto, Albano destacou o esforço conjunto entre TCE-MT, Governo do Estado, Assembleia Legislativa (ALMT), Poder Judiciário e MinistĂ©rio PĂşblico (MPMT). “Em 60 dias construĂmos uma solução que atende bem as normas nacionais e a jurisprudĂŞncia nacional, sĂł que explicita de forma bem clara todos aqueles podem ter suas aposentadorias incluĂdas no RPPS”, completou.
AlĂ©m da análise jurĂdica sobre a viabilidade do marco temporal do STF, a equipe tĂ©cnica tambĂ©m avaliou o impacto atuarial da concessĂŁo dos benefĂcios comparada com eventual compensação ao INSS ou reembolso de valores aos servidores. A conclusĂŁo Ă© que, caso fosse alcançada a meta atuarial, acrescida do Ăndice de inflação (IPCA) em todos os perĂodos de contribuição dos servidores, nĂŁo haveria nenhum dĂ©ficit em mantĂŞ-los no RPPS e conceder os benefĂcios.
“É uma solução tĂ©cnico-jurĂdica brilhante que vai resolver o problema dessas famĂlias e, ao mesmo tempo, a PrevidĂŞncia Social nĂŁo será prejudicada no seu equilĂbrio financeiro e atuarial ao assumir essas responsabilidades, atĂ© mesmo porque essas contribuições já entraram para o regime. EntĂŁo, saĂmos daqui muito satisfeitos com toda essa construção”, afirmou o diretor-presidente do MTPrev, Elliton Oliveira de Souza.
Por sua vez, o procurador-geral da ALMT, Ricardo Riva, destacou a segurança jurĂdica proporcionada pelo Tribunal de Contas. “É um dia histĂłrico, porque esse nĂŁo Ă© um problema sĂł de Mato Grosso, mas de todos os estados do Brasil. Mas, ao contrário de muitos outros que estavam empurrando, Mato Grosso se debruçou e resolveu uma questĂŁo de dĂ©cadas e tenho certeza de que isso vai repercutir.”
Ao resolver estas questões imediatas, a mesa técnica também apontou a necessidade de criação de um grupo de trabalho para revisar teses pré-julgadas em matéria previdenciária e atualizar o Manual de Remessa de Documentos do TCE-MT. Com prazo para conclusão em junho de 2025, a iniciativa visa uniformizar a jurisprudência do Tribunal e aperfeiçoar os procedimentos relacionados ao tema.
TambĂ©m participaram da reuniĂŁo o conselheiro Waldir Teis, que Ă© relator das contas da Seplag; o vice-presidente do TCE, conselheiro Guilherme Antonio Maluf; o ouvidor-geral do ĂłrgĂŁo, conselheiro Antonio Joaquim; o procurador-geral do MinistĂ©rio PĂşblico de Contas (MPC), Alisson Carvalho de Alencar; o titular da Seplag, BasĂlio Bezerra e o procurador-geral do Estado, Francisco de Assis da Silva Lopes, dentre outros.
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Fonte: odocumento





