Conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), o projeto acervo Xavante digitalizado garantiu a preservação de mais de três décadas de registros audiovisuais produzidos pelo cineasta indígena Divino Tserewahú na Terra Indígena de Sangradouro, em Mato Grosso. O material foi oficialmente entregue nesta quinta-feira (9) ao Museu de História Natural do Araguaia, em Barra do Garças, e também será disponibilizado à comunidade indígena local e ao próprio autor das imagens.
Preservação cultural e acesso ampliado
Segundo a Secel, a iniciativa integra o edital Cinemation de Acervo/Publicação, financiado pela Lei Paulo Gustavo, política pública federal voltada ao fomento da cultura. O acervo Xavante reúne imagens de rituais, costumes e relatos de anciãos e lideranças, muitos já falecidos, o que amplia o valor histórico do material.
Conforme apurado, parte dos registros documenta práticas culturais que já não são mais realizadas, o que reforça a importância da preservação. “Essas imagens guardam registros relevantes, de valor histórico e cultural, fundamentais para a memória da comunidade”, afirmou o produtor audiovisual Rodrigo Pereira Teodoro, idealizador do projeto, em nota oficial.
Tecnologia e curadoria na digitalização
O processo de conversão do acervo Xavante exigiu tratamento técnico especializado. Os conteúdos estavam armazenados em formatos analógicos como VHS, Mini-DV, Betacam e Hi-8, o que demandou o uso de equipamentos específicos para garantir qualidade e padronização.
- Curadoria do material bruto
- Restauração de imagens degradadas
- Padronização de formatos digitais
- Legendagem parcial em português
De acordo com a equipe responsável, a digitalização também reduz o risco de perda definitiva do conteúdo, comum em mídias físicas deterioradas pelo tempo.
Destino do material e uso acadêmico
Parte do acervo Xavante digitalizado foi autorizada para consulta pública e passou a integrar o Museu de História Natural do Araguaia. O conteúdo também será incorporado ao Cineclube Coxiponés, vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ampliando o acesso para pesquisadores e estudantes.
Os registros, originalmente em língua Xavante, contam parcialmente com legendas em português, facilitando a difusão do conhecimento para o público não indígena e fortalecendo a valorização das culturas originárias.
Importância para a comunidade indígena
Segundo os responsáveis, o impacto da digitalização do acervo Xavante vai além da preservação histórica. A iniciativa fortalece o sentimento de pertencimento e pode contribuir para a retomada de práticas culturais que estavam em desuso.
Especialistas em patrimônio cultural destacam que ações como essa seguem diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que reconhece a importância da salvaguarda de bens imateriais, como línguas, rituais e tradições orais.
Para a comunidade de Sangradouro, o acesso direto ao próprio acervo representa um instrumento de educação cultural e transmissão de conhecimento entre gerações.
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Reportagem baseada em informações da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
Fonte: cenariomt





