O presidente Luiz Inácio Lula da Silva [https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/lula/] (PT) pretende exigir apoio político efetivo dos partidos do centrão no Congresso Nacional como condição para distribuir ministérios e cargos de primeiro escalão em seu quarto mandato. A estratégia do Palácio do Planalto é estabelecer uma relação de maior fidelidade com as legendas que desejarem integrar o governo, evitando que partidos aliados deixem de acompanhar as orientações do Executivo nas votações.

Interlocutores do presidente já foram encarregados de procurar dirigentes partidários para discutir a composição política do próximo governo e as condições de participação na Esplanada dos Ministérios. A principal exigência será a chamada “fidelidade total” ao projeto político de Lula, com compromissos de apoio às propostas do governo no Legislativo.

“Nós vamos conversar com os partidos. Os partidos que queiram estar conosco têm que ter lealdade a esse projeto liderado pelo presidente Lula”, declarou Edinho Silva, presidente nacional do PT, em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta sexta-feira (30).

No terceiro mandato, Lula entregou ministérios a partidos que se mantiveram independentes em diversas votações e não garantiram apoio permanente ao governo. O descontentamento aumentou durante a eleição presidencial, quando integrantes de legendas com representantes na Esplanada apoiaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, adversário do petista na disputa.

A insatisfação do Planalto também levou à exoneração de indicados políticos ligados a lideranças dessas siglas no governo, incluindo aliados do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Para o próximo mandato, a intenção é condicionar a ocupação de espaços na administração federal a um compromisso político mais consistente.

A articulação também deverá contar com a interlocução dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que seguiram no apoio a Lula ao longo da eleição deste ano. O governo aposta na proximidade com os dois parlamentares para construir uma base capaz de aprovar projetos de interesse do Executivo.

O desafio será maior diante da força que o PL conquistou no Congresso e da presença de parlamentares alinhados ao bolsonarismo em outras legendas, com 121 deputados federais e 28 senadores. Já a federação formada por PT, PV e PCdoB, somada a PSOL, Rede, PSB e PDT, reunirá 124 deputados e 15 senadores.

Diante desse cenário, aliados de Lula defendem uma estratégia que combine negociação institucional com mobilização popular para pressionar o Congresso. Entre as apostas estão a pressão de jovens nas manifestações e o uso das redes sociais, especialmente do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que reúne mais de 10 milhões de integrantes.

Outra proposta defendida por lideranças petistas é ampliar a participação de partidos aliados nos ministérios instalados no próprio Palácio do Planalto. A ideia é abrir espaço para outros partidos além do PT e do PSOL, que dominam atualmente os cargos mais próximos de Lula.

Aliados afirmam que já há conversas agendadas com representantes do PSD, Republicanos, MDB, Podemos e PP. O governo pretende, ainda, buscar diálogos com o PSDB (que se declarou independente), Avante e União Brasil.