A adoção tardia foi tema de debate no VI Simpósio Jurídico da Faculdade Centro Mato-Grossense (FACEM), realizado na noite de quinta-feira (22), em Sorriso. A juíza Emanuelle Chiaradia Navarro Mano, da 5ª Vara Cível da comarca, participou como palestrante e levou ao evento um adolescente que foi adotado aos 16 anos.
A participação do jovem ajudou a aproximar o debate jurídico da realidade de crianças e adolescentes que passam anos em serviços de acolhimento à espera de uma família. A discussão também destacou o direito à convivência familiar e a importância de ampliar as possibilidades de adoção.
História de irmãos destaca desafios da adoção
Durante o simpósio, a magistrada compartilhou a trajetória de dois irmãos adotados em idades diferentes. O mais velho foi adotado aos 16 anos, após passar cinco anos em serviços de acolhimento. O irmão havia sido adotado aos 12 anos.
Para a juíza, histórias como essa mostram a importância de as famílias interessadas em adotar considerarem crianças mais velhas e adolescentes, mesmo quando esse perfil não fazia parte dos planos iniciais.
“É importante que as famílias olhem para além do perfil que imaginaram e estejam abertas à possibilidade de adotar crianças mais velhas e adolescentes”, afirmou a magistrada.
A adoção tardia é uma expressão usada para identificar a adoção de crianças mais velhas e adolescentes. Não há uma idade específica definida em lei para essa classificação, mas o termo costuma ser aplicado a crianças a partir dos três anos.
Simpósio debate acolhimento familiar
Além da adoção tardia, o evento discutiu o acolhimento familiar e os desafios enfrentados pela rede de proteção à infância e à adolescência. O encontro reuniu profissionais do Direito, psicólogos, assistentes sociais, estudantes e integrantes da comunidade.
O acolhimento familiar é uma medida de proteção temporária para crianças e adolescentes que precisam ser afastados de suas famílias de origem. Nesse modelo, eles ficam sob os cuidados de famílias acolhedoras selecionadas e acompanhadas pelos serviços responsáveis.
A medida busca garantir proteção e convivência em ambiente familiar enquanto são avaliadas as condições para o retorno à família de origem ou outra solução prevista na legislação.
O VI Simpósio Jurídico da FACEM ocorreu no Centro de Eventos Ari José Riedi, em Sorriso. A entrada foi gratuita, e a programação teve como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre os direitos de crianças e adolescentes e a importância da convivência familiar.
Números da adoção em Mato Grosso
Em 2026, Mato Grosso registra 583 crianças e adolescentes em acolhimento institucional. Desse total, 93 estão aptos à adoção, enquanto 536 pretendentes estão habilitados para receber uma criança ou adolescente em suas famílias.
Os números mostram que a espera por uma família continua sendo um desafio para parte do público acolhido. A ampliação do perfil considerado pelos pretendentes é uma das questões discutidas quando o assunto é a adoção de crianças mais velhas e adolescentes.
A Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-MT), vinculada à Corregedoria-Geral da Justiça, atua na promoção do direito à convivência familiar. Entre as iniciativas está o projeto Busca Ativa: Uma Família para Amar, que procura famílias para crianças e adolescentes que aguardam adoção.
Como buscar informações sobre adoção
Pessoas interessadas em adotar podem consultar as orientações da Comissão Estadual Judiciária de Adoção e conhecer as etapas necessárias para a habilitação. Também é possível procurar a Vara da Infância e Juventude da comarca onde residem para esclarecer dúvidas sobre o processo.
O acesso às informações e a orientação da rede de Justiça ajudam os interessados a compreender os requisitos legais e os procedimentos envolvidos na formação de uma família por meio da adoção.
Fonte: cenariomt






