O debate derradeiro de Flávio e Lula foi marcado pelo esforço do presidente em desqualificar o rival. Na mão inversa, o candidato da direita expôs em perguntas e respostas o legado trágico da quinta gestão petista (somadas as 3 de Lula com as 2 de Dilma Rousseff).
Apesar do esforço de Lula de elencar supostos feitos e tomadas de providências para equacionar suas próprias falhas, coube a Flávio desmontar escaramuças. Contra ditos feitos e promessas, o presidenciável do PL expôs o drama cotidiano.
Filas em hospitais, prateleiras de supermercados com preços elevados, medo de circular nas ruas. O retrato pintado pelo desafiante da oposição deixou Lula sem argumentos sólidos para rebater.
Para o eleitor, mais do que a troca de posturas entre candidatos com ou sem gravata, em relação ao debate anterior, ficou o choque de discurso e prática. “A esperança virou ilusão”, resumiu Flávio.
Contenção funcionou sĂł na superfĂcie
A Globo montou formato de debate capaz de conter agressões e forçar a discussĂŁo de temas relacionados aos desafios do paĂs. Foram feitos apelos prĂ©vios Ă participação dos candidatos, para que tivessem desempenho “de alto nĂvel”, temendo excessos. A contenção funcionou sĂł na superfĂcie [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/debate-globo-flavio-bolsonaro-lula-segundo-turno-como-foi/].
Com voz rouca, Lula tentou mostrar despreparo do “jovem” Flávio e colocar-se como realizador sem precedentes. De forma assertiva, Flávio rebateu afirmações do presidente e as confrontou com dados sobre o cotidiano de cidadãos, do custo de vida, da carga tributária e da burocracia.
Lula tambĂ©m voltou a impingir a Flávio uma imagem de elitista e de inimigo dos benefĂcios sociais e das aposentadorias, movido por um suposto ajuste fiscal draconiano. Flávio criticou os questionamentos do petista calçados em “fake news” e ainda apontou ausĂŞncias do governo Lula, que pretende superar se eleito.
Logo ao chegar ao estúdio, Lula deixou claro que o debate serviria para “ganhar as eleições”, fazendo referência a Flávio como “miliciano”, o que reiterou nos últimos dias na estratégia de desconstrução do rival. Já Flávio procurou mostrar-se com postura menos descolada com relação ao primeiro debate.
“Pergunte ao Google” se tornou “mantra” de Lula no debate
Reflexo do treinamento para o debate, Lula respondeu à maior parte das perguntas de Flávio relacionadas a dificuldades das administrações petistas com “pergunte ao Google” e “você não conhece o Brasil”. Flávio descreveu esse recurso como fraqueza, além de sugerir confusão do petista.
Em diferentes momentos, ambos os candidatos procuraram comparar posturas e feitos das administrações do PT e do PL. Flávio não conseguiu deixar de provocar o rival com ironias, nem Lula abdicou da arrogância, cobrando respostas para perguntas que supostamente causariam embaraço.
Para tentar firmar uma diferença de posicionamento em relação a Flávio, Lula apelou para descrever sua origem humilde e operária como um motivo para priorizar polĂticas sociais. Flávio rejeitou a pecha de grĂŁ-fino e ainda sublinhou ineficácias, com aumento da violĂŞncia e da população de rua.
Lula tentou culpar a independĂŞncia do Banco Central (BC) pela explosĂŁo da dĂvida pĂşblica em seu governo, insistindo na tese de que o equilĂbrio fiscal sĂł será alcançado com desenvolvimento econĂ´mico puxado pela gastança pĂşblica. Coube a Flávio recolocar os princĂpios macroeconĂ´micos.
Primeiro debate já tinha exposto a crescente tensão, que foi às ruas e redes
A volta Ă s urnas no prĂłximo domingo (25) escolherá nĂŁo sĂł o chefe do Executivo, mas quem enfrentará a deterioração fiscal que ameaça investimentos e serviços pĂşblicos. O risco de colapso exige respostas alĂ©m dos slogans: conter a dĂvida, recuperar a confiança e negociar reformas em ambiente internacional instável.
A eleição definirá também quem indicará ao menos três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) até 2030, com a aprovação do Senado, projetando efeitos muito além do mandato. Da relação entre os Poderes dependerá a superação ou a piora de impasses institucionais que travam decisões e fomentam a polarização.
O confronto da TV Band, na semana passada, deixou no ar troca de acusações de corrupção, agressividade e pouco espaço para propostas [https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/silvio-ribas/debate-de-flavio-e-lula-escala-a-tensao-da-batalha-entre-continuidade-e-mudanca/]. A mobilização digital ampliou cada ataque e fez do debate uma fábrica de recortes. O desafio passou a ser convencer eleitores indecisos, além de apenas inflamar os já convertidos.
A campanha de Lula apostou no medo de perder benefĂcios e aposentadorias para elevar a rejeição a Flávio. TambĂ©m o associou ao crime. Já a campanha de Flávio intensificou o foco na segurança e os atos de rua, batizados de “Bloquinho 22”, liderados pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros.
Os Ăşltimos dias de campanha
Para Flávio, o perĂodo serviu para mobilizar apoiadores, ocupar ruas de diferentes regiões e seguir rebatendo a desinformação do adversário. Já apoiadores de Lula procuram converter o temor da derrota em energia para a difĂcil virada.
O clima de tudo ou nada revela quanto a esquerda vĂŞ ameaçada sua permanĂŞncia no comando do paĂs. O desafio de abrir sigilos agregou teatro Ă reta final, pois autorizar acesso nĂŁo equivale a divulgar documentos. Uma derrota pode acelerar a crise de sucessĂŁo do PT e expor sua dependĂŞncia do lĂder.
Fonte: gazetadopovo





