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Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Assembleia Legislativa de MT impacta positivamente 161 alunos e transforma vidas

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2026

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) tem ajudado estudantes a retomar os estudos e construir novas perspectivas de futuro. Criada em 2023, a iniciativa já matriculou 161 pessoas e registra histórias de superação que destacam o papel dos educadores na formação e na recuperação da confiança dos alunos.

Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, o projeto evidencia como o acesso à educação pode abrir caminhos para novas oportunidades. A parceria entre a Assembleia Legislativa e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) começou para atender servidores que não haviam concluído o ensino médio, mas foi ampliada e hoje recebe principalmente pessoas da comunidade.

EJA da ALMT já matriculou 161 alunos

Desde o início das atividades, o programa chegou à quarta turma. Nas três primeiras, 103 estudantes concluíram os estudos: 50 em 2023, 32 em 2024 e 21 em 2025. A turma atual conta com 37 alunos, com formatura prevista para dezembro.

De acordo com dados da Escola do Legislativo, aproximadamente 90% dos estudantes concluem o curso. O resultado acompanha a expansão da iniciativa, que passou a atender um número cada vez maior de pessoas de fora da Assembleia.

Em 2023, dos 58 matriculados, 15 eram servidores da ALMT e 43 pertenciam à comunidade. No ano seguinte, foram dez servidores e 28 alunos externos. Em 2025, cinco servidores e 23 pessoas da comunidade participaram das aulas. Na turma atual, apenas um dos 37 estudantes trabalha na Assembleia, enquanto os outros 36 vêm da comunidade.

Como surgiu o projeto educacional

A iniciativa começou a ser estruturada após a psicopedagoga Telma Campos ingressar na Secretaria de Escola e Memória do Legislativo. Ao identificar servidores que não haviam concluído o ensino médio, ela percebeu a necessidade de criar condições para que essas pessoas voltassem à sala de aula.

A proposta ganhou alcance e deixou de atender apenas funcionários da instituição. A ampliação permitiu que jovens e adultos da comunidade também tivessem a oportunidade de concluir uma etapa importante da formação escolar.

Atualmente, quatro professores da rede estadual de ensino atuam no programa, distribuídos nas áreas de Ciências da Natureza, Matemática, Ciências Humanas e Linguagens. Desde 2023, 17 docentes já participaram das atividades.

Alunos retomam sonhos e recuperam a confiança

Entre os estudantes está Larissa Nascimento Sampaio, de 22 anos, que trabalha como babá. Incentivada pela mãe, que também não concluiu os estudos, ela decidiu retornar à escola para terminar o ensino médio e realizar o sonho de ingressar em uma faculdade.

Larissa relata que sentia insegurança ao observar antigas colegas avançando para o ensino superior enquanto ela ainda precisava concluir a educação básica. O incentivo recebido em sala de aula, porém, ajudou a mudar essa percepção.

A estudante considera a conclusão do ensino médio o primeiro passo para conquistar uma profissão. Ela também destaca que o reconhecimento dos professores por suas atividades contribuiu para recuperar a confiança na própria capacidade de aprender.

Aos 52 anos, Abadia Gonçalves Medeiros Silva também encontrou na EJA uma oportunidade de recomeçar. Depois de muitos anos afastada dos estudos, ela voltou a acreditar que poderia aprender e seguir em busca de novos objetivos.

Para Abadia, o acolhimento dos educadores faz parte da experiência escolar. Ela afirma que o retorno às aulas trouxe de volta a vontade de continuar avançando e de fazer novos planos para o futuro.

Professores acompanham conquistas dentro e fora da sala

Para a professora Soely Maria de Meira, ensinar estudantes que retornam à escola depois de anos exige reconhecer os conhecimentos que eles já adquiriram ao longo da vida. Experiências profissionais, familiares e comunitárias também contribuem para o processo de aprendizagem.

Ela considera gratificante participar de uma fase em que os alunos recuperam a confiança e se aproximam de objetivos que pareciam distantes. A relação entre professores e estudantes, segundo ela, também é marcada pela troca de experiências.

A professora Antônia Lúcia de Queiroz Tenório avalia que o trabalho na EJA vai além do ensino dos conteúdos escolares. Para ela, oferecer apoio a quem deixou a escola representa uma forma de enfrentar a exclusão educacional e ampliar a autonomia dos estudantes.

Uma das histórias que marcaram sua trajetória é a de Sebastião, trabalhador da construção civil com mais de 60 anos que chegou ao curso sem saber ler. Entre seus objetivos estavam conseguir ler a Bíblia na igreja e identificar sozinho o letreiro do ônibus, sem depender da ajuda de outras pessoas.

Com acompanhamento ao longo do ano, atividades extras e apoio pedagógico, Sebastião começou a desenvolver a leitura. O momento em que conseguiu ler um pequeno parágrafo diante da turma emocionou os colegas e a professora.

Segundo Antônia, o estudante chorou e recebeu aplausos dos demais alunos. Ela recorda que, depois daquela conquista, percebeu mudanças na postura e na confiança dele.

A experiência também reforçou, para a professora, a importância de garantir oportunidades de aprendizagem em qualquer fase da vida. Ela destaca que os estudantes demonstram diariamente como a persistência pode ajudar a superar dificuldades.

O trabalho desenvolvido na EJA da ALMT mostra que a educação de jovens e adultos pode contribuir para objetivos concretos, como ler documentos, compreender informações do cotidiano, buscar qualificação profissional e acompanhar as atividades escolares dos netos. Para os professores, cada nova habilidade representa uma conquista que fortalece a independência e a autoestima dos alunos.

Fonte: cenariomt

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