O projeto Raízes da Paz encerrou suas atividades na quarta-feira (7), com uma gincana para cerca de 80 estudantes da Escola Municipal Joaquim da Cruz Coelho, no bairro Glória, em Várzea Grande. A iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, buscou fortalecer o diálogo, o respeito e a convivência entre crianças e adolescentes.
A programação também abriu as comemorações do Dia das Crianças. Alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental participaram das atividades recreativas, conduzidas por educadores físicos da Superintendência de Esporte do município.
Durante o ano letivo, os estudantes participaram de Círculos de Construção de Paz, conduzidos por servidores do Fórum de Várzea Grande e da Secretaria Municipal de Educação capacitados pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Estudantes relatam melhora na convivência
Os encontros abordaram temas como escuta ativa, empatia, cidadania e controle das emoções. Para os alunos, as atividades tiveram reflexos dentro e fora da escola.
A estudante Anny Gabrielly de Almeida Ferreira, de 12 anos, afirmou que as conversas ajudaram a melhorar o comportamento da turma e facilitaram o trabalho dos professores em sala de aula.
Já Gabrielly Alves, também de 12 anos, relatou que aprendeu a respeitar mais as pessoas e a lidar melhor com os próprios sentimentos. Segundo ela, a mudança também chegou à rotina familiar, com menos conflitos com o irmão e mais disposição para ajudar em casa.
Ayra Kelly Feitosa de Souza, de 11 anos, destacou a oportunidade de conhecer melhor a si mesma e compreender outras pessoas. Para a estudante, os círculos também tornaram o aprendizado mais interessante ao estimular a escuta e a descoberta de novos conhecimentos.
Sustentabilidade também entrou nas conversas
Além das relações interpessoais, o projeto Raízes da Paz trabalhou assuntos ligados ao cotidiano da comunidade. A assessora de magistrado e facilitadora Jessyka Lindaura conduziu uma atividade sobre sustentabilidade, que incentivou os alunos a repensar o descarte de resíduos.
Após os encontros, estudantes passaram a separar materiais como tampinhas, plásticos, papéis e papelão para reciclagem. A iniciativa buscou mostrar como as reflexões feitas na escola podem se transformar em atitudes dentro de casa e na sociedade.
A professora Sueli da Silva, que também atuou como facilitadora, observou mudanças na participação e na comunicação das crianças. Segundo ela, os círculos criaram oportunidades para os estudantes expressarem sentimentos, compartilharem preocupações e desenvolverem confiança nos educadores.
Projeto surgiu para apoiar escola em área vulnerável
Coordenador do Raízes da Paz, o agente da Infância e Juventude da Comarca de Várzea Grande, Aparecido Donizete da Silva, explicou que a iniciativa nasceu de um levantamento sobre bairros com maiores desafios relacionados à infância e à adolescência.
A escola foi escolhida diante das dificuldades enfrentadas pela unidade. Ao longo do projeto, a equipe percebeu avanços na participação dos alunos e na interação entre colegas, além de uma mudança na forma como a instituição passou a ser vista pela comunidade.
De acordo com o coordenador, crianças que antes tinham dificuldade até para dizer o próprio nome passaram a conversar, brincar e participar das atividades escolares. O objetivo, destacou, é fortalecer o desenvolvimento dos estudantes e oferecer um ambiente em que se sintam acolhidos e seguros para se expressar.
Com o encerramento das atividades, o projeto Raízes da Paz reforça o papel das práticas restaurativas na prevenção de conflitos e na construção de relações mais respeitosas no ambiente escolar.
Fonte: cenariomt





