A segunda edição do TJMT Inclusivo reuniu mais de 1,5 mil inscritos nesta sexta-feira (9), em Cuiabá, para discutir os direitos das pessoas com deficiência, o autismo e os desafios da inclusão. A programação começou no Cenarium Rural e reúne representantes de instituições públicas, especialistas, profissionais de diferentes áreas e famílias atípicas.
Promovido pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, o encontro busca ampliar o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a neurodivergência e a saúde mental. A proposta também é capacitar profissionais e fortalecer políticas públicas que garantam acesso a serviços e respeito aos direitos das pessoas com deficiência.
Evento busca transformar inclusão em ações concretas
A iniciativa é organizada pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), presidida pela desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, vice-presidente da Corte. O trabalho conta com a parceria da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso, da Escola dos Servidores, da Prefeitura de Cuiabá e da Assembleia Legislativa.
Durante a abertura, o público acompanhou a apresentação do Coral Dó-Ré-Music, projeto musical e educacional de Tangará da Serra que reúne crianças típicas e atípicas em atividades com música, inglês e inclusão.
Nilza Maria Pôssas de Carvalho afirmou que o Judiciário desenvolve ações sobre o tema há quatro anos, tanto na capital quanto em municípios do interior. Segundo a desembargadora, a intenção é ampliar a cooperação entre instituições para fortalecer a rede de apoio e viabilizar terapias nas Casas do Autista que o projeto pretende instalar nos municípios.
Representando a Presidência do TJMT, a juíza auxiliar Christiane da Costa Marques Neves destacou que o reconhecimento formal dos direitos precisa resultar em mudanças no atendimento à população. Para ela, a inclusão exige respeito às particularidades de cada pessoa e instituições preparadas para atender diferentes necessidades.
Informação ajuda a combater o preconceito
A juíza auxiliar Alethea Assunção Santos, integrante da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, ressaltou que o Judiciário intensifica as atividades de capacitação desde 2024. Em 2026, o evento representa a sexta ação formativa promovida pela comissão sobre o assunto.
Ela apontou que as pessoas com deficiência enfrentam obstáculos físicos, dificuldades de comunicação e falta de preparo de profissionais. No entanto, destacou o preconceito e a discriminação como barreiras que precisam ser combatidas por meio da informação.
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu a atuação conjunta dos órgãos públicos para transformar direitos em políticas efetivas. A proposta é identificar as necessidades da população e melhorar a oferta de serviços.
A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, também destacou a expansão do TJMT Inclusivo e o reconhecimento da iniciativa pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela considerou o número de inscritos um sinal do alcance do projeto.
Na área da saúde, a secretária municipal de Cuiabá, Deisi Bocalon, defendeu o trabalho integrado entre diferentes setores e profissionais. Ela ressaltou a importância de acolher tanto as pessoas autistas quanto seus familiares. A primeira-dama da capital, Samantha Iris, também enfatizou o valor da informação sobre diagnóstico, tratamento e particularidades do autismo em crianças, adolescentes e adultos.
Famílias relatam dificuldades para acessar direitos
A programação abriu espaço para relatos de pessoas que enfrentam diariamente os desafios da inclusão. Mães compartilharam experiências sobre diagnóstico, terapias, educação e acesso aos serviços públicos.
Elaine Barbosa Silva, mãe de uma criança com doença rara, defendeu que a inclusão precisa sair dos discursos e chegar à rotina das famílias. Ela ressaltou que a deficiência não elimina o potencial de uma pessoa e que as diferentes formas de comunicação devem ser respeitadas.
Vanessa Guedes, mãe de Guilherme, de 16 anos, diagnosticado com autismo, destacou a necessidade de transformar os debates em medidas concretas. Segundo ela, as famílias ainda encontram dificuldades para obter atendimento de saúde e garantir a inclusão escolar, mesmo com o avanço das discussões sobre o tema.
Os relatos reforçaram a importância de políticas públicas que atendam às necessidades reais das pessoas com deficiência. O desafio envolve não apenas ampliar o conhecimento, mas também assegurar que os direitos previstos sejam respeitados nos serviços de saúde, educação e atendimento público.
Projeto já capacitou milhares de pessoas
O TJMT Inclusivo tem como objetivo sensibilizar a sociedade, magistrados e servidores sobre acessibilidade e garantia de direitos, além de preparar profissionais que atuam direta ou indiretamente com pessoas com deficiência.
Em 2026, o projeto também passou por Sorriso, Lucas do Rio Verde e Tangará da Serra. No ano anterior, mais de 3 mil profissionais e familiares participaram das atividades realizadas em Cuiabá, Cáceres, Rondonópolis e Sinop.
As palestras da segunda edição estão disponíveis no canal oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso no YouTube, permitindo que o conteúdo alcance pessoas que não acompanharam o evento presencialmente.
Fonte: cenariomt





