A experiência do Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos de Mato Grosso está contribuindo para a preparação dos serviços judiciais que atenderão o público durante a Copa do Mundo Feminina de 2027. O trabalho desenvolvido em Cuiabá serve de referência para discutir medidas de segurança, prevenção à violência e acolhimento nos estádios.
A juíza Patrícia Ceni, responsável pelo Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos da Grande Cuiabá, participou na quarta-feira (7) de uma agenda do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Belo Horizonte (MG). A programação incluiu uma visita técnica ao Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, que receberá oito partidas do torneio.
Integrante do grupo de trabalho Paz nas Arenas, do CNJ, a magistrada compartilhou a experiência mato-grossense e conheceu estruturas destinadas ao atendimento de torcedores. A iniciativa busca contribuir para a organização dos serviços nas cidades que receberão jogos da competição internacional.
Experiência de Mato Grosso orienta regras nacionais
O modelo adotado em Mato Grosso foi uma das referências para a elaboração da Resolução CNJ nº 662/2025. A norma estabelece diretrizes para o funcionamento dos Juizados Especiais do Torcedor e dos Grandes Eventos em todo o país.
As regras preveem a atuação conjunta do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e dos órgãos de segurança. O objetivo é organizar o atendimento de ocorrências e fortalecer a prevenção de conflitos em ambientes com grande concentração de pessoas.
O estado se destacou pela atuação permanente de um juizado que também atende grandes eventos. Segundo Patrícia Ceni, a experiência acumulada tem despertado o interesse de outras unidades da Federação.
“Fui a primeira mulher a atuar no Juizado do Torcedor e Grandes Eventos e hoje sou a magistrada com mais tempo de atuação nessa área. Acompanhei a construção desse trabalho em Mato Grosso e estou recebendo convites para falar da nossa experiência e contribuir para a organização dos serviços em outros estados”, afirmou a juíza.
Visita ao Mineirão inclui espaços de acolhimento
Durante a visita técnica, a comitiva conheceu diferentes estruturas de atendimento e monitoramento do estádio. Entre elas estavam as instalações do Juizado Especial Criminal, a Sala Lilás e um camarote adaptado para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A Sala Lilás é destinada ao acolhimento de pessoas em situação de violência. Já o espaço adaptado busca oferecer melhores condições de acesso e permanência para pessoas autistas durante os eventos esportivos.
As duas estruturas também estão presentes na Arena Pantanal, em Cuiabá. Conforme explicou a magistrada, o espaço voltado ao público com TEA foi implantado por meio de uma parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social.
A agenda em Minas Gerais também incluiu visitas à delegacia móvel da Polícia Civil e ao Centro de Controle de Operações do Mineirão, responsável pelo monitoramento das câmeras de segurança do estádio.
Juíza deve apresentar experiência na Bahia
O trabalho do Juizado do Torcedor de Mato Grosso poderá ser apresentado em um encontro previsto para 28 de outubro, na Bahia. Patrícia Ceni recebeu convite para explicar o funcionamento do serviço e as medidas adotadas no atendimento durante eventos de grande público.
Embora Cuiabá não esteja entre as cidades-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, a experiência local contribui para as discussões nacionais sobre a padronização dos atendimentos e a integração entre as instituições envolvidas na segurança dos torcedores.
Quando será a Copa do Mundo Feminina de 2027?
A competição será realizada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. O torneio terá partidas em oito cidades brasileiras:
- Belo Horizonte (MG);
- Brasília (DF);
- Fortaleza (CE);
- Porto Alegre (RS);
- Recife (PE);
- Rio de Janeiro (RJ);
- Salvador (BA);
- São Paulo (SP).
A preparação dos juizados integra as medidas para garantir atendimento judicial, prevenção de conflitos e acolhimento ao público durante os jogos. A experiência desenvolvida em Cuiabá poderá ajudar a orientar a atuação das instituições envolvidas na competição.
Com informações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Fonte: cenariomt





