Deu certo! Paciente de 63 anos recebe sangue raríssimo enviado de avião do CE para MG
Depois de uma verdadeira corrente do bem, o paciente de 63 anos que precisava urgentemente de sangue raríssimo recebeu a transfusão na tarde de sexta-feira, 9 de outubro, na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, em Minas Gerais. O sangue foi enviado do Ceará, percorreu mais de 2 mil quilômetros de avião e carro e chegou a tempo de atender o homem, que apresentava anemia grave após um transplante de rim.
A realização da transfusão foi confirmada pela assessoria da Santa Casa. O paciente, que teve a identidade preservada, tinha níveis muito baixos de hemoglobina antes do procedimento. O desafio era encontrar sangue compatível: entre os 2.032 doadores do Cadastro Nacional de Sangue Raro, apenas seis apresentavam o perfil necessário.
A busca começou na quarta-feira (7), quando a equipe médica pediu ajuda à rede de hemocentros. Um doador do Ceará foi localizado e aceitou participar da mobilização. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) realizou a coleta e organizou o transporte da bolsa, que chegou ao hospital mineiro em tempo recorde, às 12h25 de sexta-feira. A transfusão foi realizada na mesma tarde.
Por que o sangue era tão raro?
O paciente apresentava um anticorpo chamado anti-Jsb, que pode reagir contra um marcador presente nas hemácias, as células vermelhas do sangue, de grande parte das pessoas. Por isso, não bastava encontrar alguém com o mesmo tipo sanguíneo nos sistemas tradicionais A, B, AB e O.
Era necessário localizar uma bolsa compatível também com essa característica, para reduzir o risco de reação transfusional.
A Fundação Hemominas recorreu ao Cadastro Nacional de Sangue Raro, criado pelo Ministério da Saúde em 2013, e a rede identificou um doador no Ceará.
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Sangue viajou de avião e carro
A operação envolveu profissionais de saúde, hemocentros e o transporte aéreo gratuito. A bolsa foi levada na cabine de um avião comercial, com os cuidados necessários para preservar o material e agilizar a entrega.
O voo partiu de Fortaleza às 2h55 e chegou ao Aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, às 5h45. De lá, o sangue seguiu por terra até Juiz de Fora, onde foi entregue à Santa Casa às 12h25.
Segundo o Ministério da Saúde, esta foi a segunda operação brasileira de transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial. A primeira havia levado uma bolsa de São Paulo ao Piauí, em setembro.
Ceará mantém cadastro de doadores raros
O Hemoce mantém mais de 700 doadores identificados com características sanguíneas raras no Ceará. Essas pessoas podem ser procuradas quando hospitais precisam de sangue com compatibilidade difícil de encontrar.
O Cadastro Nacional de Sangue Raro reúne 2.032 doadores e já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes no país. O trabalho depende de exames específicos e da cooperação entre hemocentros de diferentes estados.
A transfusão em Juiz de Fora foi confirmada mas, até a atualização desta matéria, não sabiu boletim médico sobre o estado de saúde do paciente ou quando ele receberá alta.
Fonte: sonoticiaboa





