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Documentário sobre a Romaria dos Mártires em Rondonópolis: 33 anos de história resgatados

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2026

Há 33 anos, a Romaria dos Mártires reúne homens e mulheres pelas ruas de Rondonópolis em uma manifestação marcada pela fé, memória e esperança. Essa trajetória agora será contada no documentário “Caminhos de Fé e Luta: A Romaria dos Mártires em Rondonópolis”, produzido em parceria com a Morada Filmes e dirigido pelo professor e pesquisador Adilson José Francisco, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR).

O filme busca registrar não apenas a celebração religiosa, mas também as histórias, experiências e memórias das pessoas que participam da Romaria. A proposta é mostrar como a fé se relaciona com a vida cotidiana e com questões como justiça, dignidade e direitos.

As gravações começaram no fim de 2025 e reúnem imagens atuais com fotografias, vídeos e outros registros das primeiras edições da Romaria. Dessa forma, o documentário aproxima diferentes gerações de participantes e recupera parte da história construída ao longo de mais de três décadas.

A narrativa é construída a partir dos relatos de romeiros, romeiras e organizadores. São essas pessoas que ajudam a contar os diferentes significados que a manifestação adquiriu ao longo dos anos.

Segundo Adilson, a relação com a Romaria começou antes mesmo do projeto audiovisual, por meio de registros pessoais que posteriormente se tornaram objeto de pesquisa acadêmica.

“Na era da imagem e da imagem em movimento, é hora de trazer essa experiência multifacetada para a linguagem audiovisual”, afirma o diretor.

O que conta o documentário

A história da Romaria está ligada ao contexto social vivido em Mato Grosso e no Brasil a partir do início da década de 1990, período marcado por conflitos no campo, concentração fundiária e assassinatos de lideranças camponesas e religiosas. A manifestação também passou a reconhecer como mártires pessoas que morreram em defesa de direitos e de melhores condições de vida para populações socialmente marginalizadas.

Essa relação entre religiosidade e questões sociais é um dos pontos centrais do documentário. “Um dos motes do filme é recuperar essa conexão entre o modo como as pessoas vivem a fé e a maneira como articulam essa fé com a própria vida, com as lutas por direitos, dignidade e justiça”, explica Adilson.

Além dos depoimentos, o filme utiliza sons e imagens da própria Romaria. Músicas, orações, relatos, gestos e símbolos são incorporados à narrativa para preservar a atmosfera da celebração e aproximar o espectador da experiência dos participantes.

Para o diretor, recuperar essa memória também é uma forma de preservar parte da identidade coletiva de Rondonópolis. “Em um contexto de descarte do que já foi, é preciso valorizar e recuperar as experiências daqueles que nos precederam. O passado e suas lutas nos habitam”, afirma.

Com lançamento previsto para outubro de 2026, “Caminhos de Fé e Luta” pretende levar ao público uma história construída ao longo de 33 anos pelas ruas de Rondonópolis, reunindo relatos de fé, perdas, esperanças e lutas de diferentes gerações.

Fonte: primeirapagina

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