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Estudo revela que elefantes selecionam remédios naturais quando doentes

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2026

Elefantes africanos podem usar dezenas de espécies de plantas e minerais para tratarem a si mesmos e suas famílias quando estão doentes, como aponta um estudo realizado na região do Monte Elgon, no Quênia.

A pesquisa, publicada na revista científica Scientific Reports na última quinta-feira (24), identificou 35 espécies de plantas, pertencentes a 23 famílias, além de quatro tipos de solo, minerais ou argila utilizados pelos elefantes.

Os pesquisadores investigaram, ainda, conhecimentos de moradores da região e reuniram relatos que levantam a possibilidade de que os animais escolhem esses recursos com finalidade terapêutica quando pareciam estar doentes.

Toda a pesquisa foi feita em parceria com a organização de conservação Mount Elgon Foundation, ouvindo moradores da região, incluindo agentes de proteção da vida selvagem e líderes comunitários.

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Trecho do estudo
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Todas as espécies de plantas mencionadas nos levantamentos foram identificadas taxonomicamente por meio da preparação de espécimes de herbário. Dos 39 recursos mencionados nas entrevistas, os informantes citaram 34 (87%) como tendo usos medicinais tradicionais para humanos.
Trecho do estudo publicado na revista científica Scientific Reports

Elefantes podem usar até ‘boldo’ 🐘🌿

Em um dos depoimentos, um agente de proteção contou ter visto elefantes utilizando uma planta conhecida como Angurweet, popularmente associada ao boldo no Brasil, para tratar os filhotes. A espécie é usada localmente contra problemas como dor de estômago.

Em um dos relatos, por exemplo, mães teriam sido observadas mastigando determinadas plantas e depois misturando o material ao próprio leite antes de oferecê-lo aos filhotes.

A descrição levanta uma possibilidade ainda mais curiosa: a de que o conhecimento sobre quais plantas utilizar não esteja apenas relacionado ao instinto, mas também possa ser transmitido entre gerações.

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Zoofarmacognosia

8 plantas que podem fazer parte da “farmácia” dos elefantes

O estudo reuniu relatos de moradores e especialistas locais sobre plantas que seriam procuradas ou oferecidas a elefantes doentes ou vulneráveis. Os pesquisadores classificaram essas espécies como de possível uso terapêutico.

01
Aloe arborescens
Relatos indicam que fêmeas ofereciam a planta aos filhotes, associando seu consumo ao aumento do apetite.
02
Bersama abyssinica
Segundo os relatos, a planta era misturada ao leite materno e oferecida aos filhotes como uma espécie de “imunização”.
03
Coleus barbatus
Também teria sido misturada ao leite pelas mães e oferecida aos filhotes, em um comportamento interpretado como cuidado terapêutico.
04
Dombeya burgessiae
Relatos associam o consumo da espécie a uma possível ajuda na digestão e no amolecimento das fezes.
05
Dombeya rotundifolia
Assim como outras espécies do gênero, foi relacionada pelos entrevistados a processos digestivos e ao amolecimento das fezes.
06
Dombeya torrida subsp. torrida
Os relatos também associam a espécie a uma possível função digestiva e ao amolecimento das fezes.
07
Ficus natalensis
Teria sido misturada ao leite materno junto com outras plantas e oferecida aos filhotes como uma espécie de “imunização”.
08
Kuloa usambarensis
Foi relacionada a elefantes que apresentavam sinais visíveis de doença, como letargia e pouca movimentação.
Importante: as funções descritas são baseadas em relatos de entrevistados e foram interpretadas pelos pesquisadores como possíveis comportamentos de automedicação. O estudo não comprova que essas plantas tenham efeito terapêutico nos elefantes.
Fonte: estudo publicado na revista Scientific Reports, 2026

Os relatos também apontaram comportamentos relacionados à alimentação, digestão e sinais de enfermidades, embora ainda não seja possível afirmar que cada planta tenha sido escolhida pelos animais especificamente por suas propriedades medicinais.

Vale lembrar que os pesquisadores apresentam evidências de possível automedicação, mas não afirmam que a capacidade dos elefantes de identificar e utilizar plantas medicinais esteja definitivamente comprovada.

A investigação se relaciona à chamada zoofarmacognosia, área que estuda como animais utilizam substâncias encontradas na natureza para prevenir ou tratar problemas de saúde.

Em entrevista à BBC News, a pesquisadora Elodie Freymann, da Brown University, nos Estados Unidos, explicou que o comportamento dos animais mostra o quanto “nossos medicamentos estão entrelaçados com o mundo não humano”.

Espécie ameaçada

No caso do Monte Elgon, muitos dos recursos utilizados pelos elefantes também fazem parte da medicina tradicional da população local, como cita o estudo. Isso não significa, porém, que os animais tenham aprendido o comportamento diretamente com os humanos.

Para os pesquisadores, a ‘coincidência’ reforça a necessidade de investigar melhor essas plantas e a forma como são utilizadas pelos elefantes africanos, espécie classificada como ameaçada.

Por isso, o estudo também aponta a importância de preservação desses animais e seus habitats.

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Ciência e conservação
“Portanto, uma compreensão mais profunda dos comportamentos de automedicação dos elefantes pode não apenas esclarecer suas capacidades cognitivas e inteligência ecológica, mas também reforçar a urgência de conservar seus habitats.”
🐘
Elefantes
possíveis comportamentos de automedicação
→
🌱
Habitat
acesso aos recursos naturais
→
🌍
Conservação
proteção da biodiversidade
Principais ameaças
Perda de habitat Caça ilegal Conflitos com humanos
A ideia central: destruir o habitat pode significar não apenas reduzir o espaço onde os elefantes vivem, mas também limitar o acesso às plantas e outros recursos naturais de que eles podem depender.
Fonte: estudo publicado na revista Scientific Reports

Fonte: primeirapagina

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