Bets é um termo que tem origem na língua inglesa, a partir do verbo to bet, que significa apostar. As bets referem-se a plataformas digitais de apostas online de quota fixa, como no caso de apostas em resultados de jogos presenciais ou virtuais. no Brasil, sobreviveram por cerca de oito anos e, desde seu nascimento, trouxeram problemas irreparáveis para incontáveis pessoas e inúmeras famílias.
Em 2018, ainda no Governo Temer, por meio da Lei 13.756, as apostas esportivas foram liberadas no Brasil. De 2019 a 2022, durante o Governo Bolsonaro, houve um expressivo crescimento do mercado do jogo, ainda sem regulamentação definitiva. Isso só veio a ocorrer em 2023, já no Governo Lula, através da Lei 14.790, que regulamentou as bets e incluiu os jogos online.
Recentemente, o próprio Governo Lula, observando o prejuízo que os jogos vinham trazendo às famílias brasileiras, resolveu, por meio da Medida Provisória 1.394, proibir as bets em todo o território nacional. Isso significa o fim das bets … e a saúde mental agradece.
As Bets fazem parte dos jogos de azar, online ou não, e causam sérios prejuízos, à saúde financeira, mental e social dos usuários. O fácil acesso às plataformas e o prazer imediato podem desenvolver no jogador o transtorno do jogo, algo que funciona exatamente como o transtorno por uso de substâncias psicoativas, igual a qualquer dependência química.
Há, portanto, perda do controle, quando o jogador passa mais tempo do que havia estabelecido como suficiente. O jogador também desenvolve o que chamamos de tolerância, quando há necessidade de jogar cada vez mais e por mais tempo para alcançar o mesmo prazer de antes.
Observam-se, também, sintomas de privação ou abstinência, quando o jogador para de jogar ou diminui o ritmo de jogo, momentos em que se sente mal, com queixa de angústia, irritabilidade, inquietação, sintomas estes que desaparecem quando retorna ao jogo. É fato notório que apesar dos prejuízos e do sofrimento causado pelos jogos, seu usuário não consegue abandoná-los.
Junto a isso vem o grande endividamento das famílias, que não diminui o ritmo de jogo, pelo contrário, aumenta, com apostas cada vez maiores, tanto pela dependência ao jogo, já instalada, como pela falsa ilusão de certeza de recuperar as perdas, tendo como consequência dívidas impagáveis, com grandes impactos nos relacionamentos e na saúde mental.
Observa-se frequentemente que o usuário passa a isolar-se e a mentir sobre suas perdas financeiras, tenta buscar financiamentos, empréstimos, recorre a agiotas, tudo para esconder seus gastos e para continuar jogando. O fundo do poço chega mais cedo ou mais tarde e quando chega, ou antes disso, já estão presentes sérios problemas mentais, principalmente estresse crônico, insônia, ansiedade e depressão, muitas vezes com riscos reais de suicídio.
O problema existe, a saúde é afetada, os sintomas surgem e gradativamente se agravam. Há sofrimento pessoal e familiar, muitas vezes de modo irreparável, até mesmo quando o problema cessa. Por trata-se de um problema de saúde, um transtorno de jogo, que não é diferente de qualquer dependência química que conhecemos, há necessidade de tratamento, nos mesmos moldes oferecidos aos usuários de substâncias psicoativas, até porque o transtorno de jogo também tem ação psicoativa.
É importante a busca de ajuda, precocemente. Para quem prefere o anonimato e o caso não alcançou maior gravidade, pode lançar mão apenas dos grupos de apoio (jogadores anônimos). A busca de apoio profissional na maioria dos casos deve estender-se à psicologia e à psiquiatria.
Fonte: primeirapagina





