Uma força-tarefa dos Ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Fazenda derrubou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas online após a entrada em vigor da medida provisória que proibiu a exploração e a publicidade de bets no Brasil. A ação também acompanha a circulação de anúncios e conteúdos relacionados às apostas em plataformas digitais.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que o trabalho busca interromper o acesso a plataformas sem autorização e evitar que novos endereços sejam utilizados para oferecer apostas ao público brasileiro. As informações são da Agência Brasil.
Monitoramento das plataformas
Relatório do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao MJSP, identificou que anúncios de bets continuavam circulando na Meta, no Google e no TikTok. Entre as publicidades encontradas estavam ofertas de cadastro, bônus e incentivos como “Convide amigos e ganhe R$ 888,00” e “Ganhe R$ 50,00 grátis”.
No Google, foram identificados cerca de 1.960 anúncios relacionados a sete domínios exibidos no Brasil entre os dias 25 e 27 de setembro. O relatório ressalvou que não foi possível determinar quais anúncios eram novos e quais já estavam ativos antes da proibição e ainda estavam dentro do prazo estabelecido para retirada.
Na Meta, o Ciberlab registrou sete anúncios. Dois começaram a ser veiculados em 25 de setembro, já durante a vigência da medida provisória. Os demais haviam sido publicados antes e continuavam ativos após a entrada em vigor da nova regra.
Alguns anúncios utilizavam nomes de páginas diferentes das marcas apresentadas e links com domínios que não correspondiam às empresas anunciadas. Segundo o Ciberlab, esses elementos podem indicar uma tentativa de ocultar o anunciante ou o destino do tráfego.
Prazo para retirada
A medida provisória estabeleceu prazo de dez dias para a retirada da publicidade que já estava em circulação quando a norma foi publicada. Para os anúncios iniciados depois da entrada em vigor da proibição, o relatório do Ciberlab recomenda a retirada imediata.
O laboratório informou que continuará acompanhando as plataformas para verificar o cumprimento das regras e identificar novas formas de divulgação de apostas. O órgão também propôs medidas para detectar páginas com identidade dissimulada, links mascarados e conteúdos promovidos por afiliados e influenciadores.
Telegram e canais de apostas
A força-tarefa identificou ainda 43 canais e grupos ativos no Telegram usados para propaganda e divulgação de apostas e jogos de cassino online. Juntos, esses canais somavam 212,6 mil membros.
O material foi encaminhado aos órgãos competentes dos Ministérios da Fazenda e da Justiça para análise técnica e administrativa dos operadores e adoção das providências cabíveis. Entre as ofertas identificadas estavam promessas de “260% de lucro mensal”, supostos robôs para apostas e alegações de taxas de acerto de até 99,8%.
De acordo com o MJSP, a atuação integrada pretende evitar que a retirada das bets seja contornada pela migração das atividades para redes sociais, aplicativos, grupos fechados, canais clandestinos ou plataformas hospedadas fora do país.
Novos sites irregulares
Após a publicação da medida provisória, o levantamento citado no material original aponta o surgimento de 440 novos sites de apostas online sem registro no Brasil. Os dados são atribuídos ao Bet Legal, plataforma mantida pela empresa de cibersegurança Iron Security, que presta serviços a casas de apostas online no país.
A plataforma começou a contabilizar as bets consideradas irregulares em 1º de setembro, com os primeiros sites detectados a partir de 21 de setembro, quatro dias antes da publicação da medida provisória.
O monitoramento dos 506 sites e da publicidade digital integra a estratégia do governo para impedir que a oferta irregular de apostas continue por novos domínios, anúncios, aplicativos e outros meios digitais.
Fonte: cenariomt





