A chegada à primeira comarca traz desafios que vão além da atuação jurídica. Em Mato Grosso, a preceptoria tem sido usada como ferramenta de acolhimento e integração de magistrados em estágio probatório, com apoio na adaptação profissional, social e familiar.
O desembargador Gilberto Giraldelli é preceptor dos juízes substitutos Israel Tibes Wense de Almeida Gomes, em Brasnorte; José dos Santos Ramalho Júnior, em Colniza; e Yago da Silva Sebastião, em Aripuanã. Segundo ele, as diferenças entre as regiões do Estado exigem dos novos magistrados atenção às características de cada comunidade.
Apoio na adaptação às comarcas
Para Giraldelli, a preceptoria vai além da orientação sobre processos e atividades jurisdicionais. O acompanhamento também envolve questões sociais e familiares, especialmente porque parte dos aprovados nos concursos vem de outros estados e precisa se adaptar a costumes e realidades locais.
A experiência dos preceptores permite compartilhar situações comuns do início da carreira, como a adaptação a uma nova cidade, a gestão da unidade judiciária, o cumprimento de metas e a compreensão das demandas específicas de cada comarca.
O objetivo, segundo o desembargador, é evitar que os novos juízes se sintam isolados. O contato também serve como suporte diante de dúvidas ou situações que exijam orientação durante o estágio probatório.
Convivência exige atenção à postura institucional
A inserção dos magistrados na comunidade é outro ponto tratado pela preceptoria. O juiz precisa conhecer a realidade local e compreender os problemas enfrentados pela população, mas também deve preservar a postura institucional ligada ao cargo.
Em cidades menores, essa preocupação ganha destaque. A forma como o magistrado se relaciona com a comunidade pode influenciar a percepção da população sobre o Judiciário. Por isso, as orientações incluem aspectos relacionados à ética, imagem institucional e equilíbrio entre integração social e deveres funcionais.
Mesmo com a distância entre Cuiabá e as comarcas acompanhadas, Giraldelli mantém contato contínuo com os três magistrados. Um grupo de WhatsApp e reuniões virtuais ajudam a manter a comunicação e permitem que dúvidas sejam tratadas quando necessário.
Novos juízes relatam efeitos da preceptoria
Israel Gomes considera o acompanhamento importante para sua integração no início da carreira. Ele destaca as visitas às comarcas e os encontros virtuais como oportunidades para troca de experiências, orientações e discussão de boas práticas.
Em Colniza, José Ramalho Júnior atribui parte dos avanços da unidade à orientação estratégica recebida, somada ao trabalho de servidores, colaboradores e estagiários. Segundo ele, a comarca reduziu em mais de mil processos o acervo e conquistou o Selo Ouro do Conselho Nacional de Justiça, mesmo diante do volume de processos da Vara Única e da gestão de um presídio local.
Yago Sebastião, de Aripuanã, também destaca aprendizados relacionados à postura institucional. Para ele, a convivência com o preceptor ajuda a compreender, na prática, a importância de ouvir as pessoas, conduzir situações difíceis com serenidade e tratar todos com respeito.
Os relatos indicam que a orientação aos novos magistrados combina suporte técnico, integração à comunidade e atenção à dimensão humana da função. A proposta é oferecer uma rede de apoio durante uma fase de adaptação que envolve tanto a rotina judicial quanto a vida na nova comarca.
Mais informações
Informações sobre a preceptoria e as atividades da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 e (65) 99943-1576.
Fonte: cenariomt





