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Artista sacra de Mato Grosso realiza seu primeiro mural na Europa em Portugal

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Do traço feito no papel às primeiras demãos de tinta em uma parede de uma capela portuguesa. A artista plástica Mari Bueno, radicada em Sinop desde 1979, começou nesta terça-feira (1º) a executar o primeiro mural da carreira na Europa, na Capela Nossa Senhora de Fátima, em Carrazeda de Ansiães, uma vila localizada no norte de Portugal.

Reconhecida principalmente pelo trabalho com arte sacra, Mari vai transformar a parede atrás do altar com imagens inspiradas na história das aparições de Nossa Senhora de Fátima e dos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta.

O projeto representa uma nova etapa de uma trajetória que já levou obras da artista a exposições e acervos europeus, mas, até agora, nunca havia incluído a execução de um mural no continente.

Primeiras pinceladas em Portugal

Antes da tinta chegar à parede, o trabalho começou com medidas, cálculos e giz.

Em vídeo publicado nesta terça-feira (1º), Mari mostrou que o primeiro dia foi dedicado a transferir para a parede o desenho desenvolvido anteriormente. A técnica utiliza proporções para ampliar as imagens do papel sem perder as dimensões previstas no projeto.

“Então, primeiro foi riscar com o giz, depois já comecei a trabalhar com a tinta”, contou a artista ao mostrar os bastidores do processo.

Mari Bueno mostra as primeiras etapas da pintura do mural na Capela de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal. – Vídeo: Reprodução/Instagram

Ao fim do dia, a parte principal do painel já estava desenhada e havia recebido duas demãos de tinta usadas como base. Os detalhes e elementos ao fundo começaram a ser acrescentados na sequência.

Boa parte dos materiais utilizados atravessou o Atlântico com a artista. Antes de deixar o Brasil, Mari separou pigmentos e outros itens necessários para preparar as tintas diretamente em Portugal. A logística, segundo ela, exigiu atenção para que nada essencial ficasse para trás.

Ainda assim, um detalhe escapou da lista: os recipientes usados para preparar as tintas. A solução foi procurar os potes no comércio da própria cidade portuguesa. Outro desafio apareceu com uma cola comprada no país, cujo cheiro forte fez a artista considerar a substituição do produto durante os trabalhos.

Convite para pintar capela

O convite para desenvolver o projeto partiu do padre responsável pela capela, depois que o trabalho realizado por Mari em igrejas brasileiras chegou ao conhecimento do religioso.

Antes de iniciar a pintura, a artista já havia ido a Carrazeda de Ansiães para conhecer o espaço, fazer medições e entender as necessidades da comunidade. A cultura e a religiosidade locais também foram consideradas na elaboração do projeto.

Mari Bueno mostra a chegada a Portugal e os preparativos para iniciar a pintura na capela. – Vídeo: Reprodução/Instagram

Depois dessa etapa, Mari desenvolveu tanto a proposta artística quanto a adequação do espaço litúrgico e encaminhou o projeto para aprovação. Com as mudanças estruturais praticamente concluídas, a pintura foi deixada para a etapa final.

De Sinop para igrejas no Brasil e na Europa

Nascida em Marechal Cândido Rondon, no Paraná, Mari chegou ainda criança em 1979 a Sinop. Foi no município mato-grossense que desenvolveu a carreira artística, inicialmente com trabalhos ligados à fauna, à flora e a referências amazônicas.

A mudança em direção à arte sacra ganhou força após o convite para pintar um painel na Catedral do Sagrado Coração de Jesus, em Sinop. A partir daí, Mari buscou especialização em arte sacra e espaço litúrgico e também estudou técnicas como mosaico, iconografia e desenho na Itália.

Hoje, a maior parte da produção é voltada a igrejas, com projetos executados em diferentes estados brasileiros. Ao longo da carreira, a artista já pintou milhares de metros quadrados de murais.

A relação com Portugal também começou antes do atual projeto. Mari já realizou uma exposição individual no Museu de Arte Sacra e Etnologia, em Fátima, com mais de 30 obras dedicadas à trajetória de Maria nos Evangelhos.

Outro capítulo da carreira internacional ocorreu no Vaticano. Em 2019, durante o Sínodo da Amazônia, a artista apresentou uma exposição individual na Sala Stampa. Três anos depois, em abril de 2022, a obra “Maria in fretta” foi entregue ao Papa Francisco.

Agora, em Portugal, a trajetória ganha um elemento até então inédito: não apenas expor uma obra pronta, mas acompanhar uma parede vazia se transformar, dia após dia, no primeiro mural europeu da artista.

Fonte: primeirapagina

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