Cenário Político

Janaína Riva receberá questionamentos sobre apoio a Gilmar Mendes e possibilidade de impeachment: entenda sua posição junto aos eleitores de direita

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2026

O que em 2025 parecia apenas uma homenagem institucional agora ganha um ingrediente eleitoral. A relação da deputada estadual Janaína Riva (MDB), candidata ao Senado por Mato Grosso em 2026 e integrante de uma aliança eleitoral de direita, com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), volta ao radar justamente quando o magistrado se tornou alvo de uma ofensiva política no Senado.

Em 29 de maio de 2025, durante o III Congresso Nacional de Gestão Pública, em Brasília, Janaína fez uma homenagem pública a Gilmar Mendes. Na ocasião, não economizou nos elogios: afirmou que a trajetória do ministro no STF era marcada por “lisura”, “respeito às instituições” e “coragem de enfrentar temas espinhosos”. Também classificou sua atuação como referência para a gestão pública e destacou sua defesa do equilíbrio entre os Poderes.

A declaração foi feita antes de a disputa eleitoral de 2026 colocar Janaína diante de um desafio adicional: conciliar uma manifestação pública de admiração por um dos ministros mais contestados por setores da direita com uma candidatura que busca justamente o voto desse campo político.

Eleição, afinal, tem dessas coisas. Frases antigas ganham nova vida quando o eleitor precisa decidir quem vai ocupar uma cadeira no Senado, uma das instituições que pode analisar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

Em abril de 2026, o senador Eduardo Girão afirmou no plenário do Senado haver cinco pedidos de impeachment contra Gilmar Mendes. Entre os argumentos apresentados estão alegações de atividade político-partidária e conflito de interesses. São, porém, acusações apresentadas em iniciativas políticas, e não representam uma condenação ou a abertura automática de um processo de impeachment contra o ministro.

O embate ganhou ainda mais volume com o chamado “superpedido de impeachment”. Em dezembro de 2025, Girão afirmou que a iniciativa reunia cerca de 3 milhões de assinaturas, 137 deputados federais e apoio declarado de 41 senadores. O número representa adesões à iniciativa e não significa que o Senado tenha instaurado um processo contra Gilmar Mendes.

É justamente aí que a antiga homenagem de Janaína começa a entrar no cálculo eleitoral.

Integrante de uma aliança de direita e candidata a uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado, Janaína terá de se posicionar diante de uma questão particularmente sensível para esse eleitorado: qual deve ser o papel do STF e, sobretudo, como ela avalia a atuação de ministros como Gilmar Mendes?

A candidata mantém hoje a avaliação positiva que expressou em 2025? Apoia pedidos de impeachment contra ministros do Supremo? Considera que o Senado deve exercer maior fiscalização sobre a atuação da Corte? Ou entende que a independência do Judiciário deve prevalecer mesmo diante das críticas políticas?

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São perguntas que a homenagem de 2025, sozinha, não responde.

E há um detalhe que torna a cobrança eleitoral mais incômoda: Janaína não disputa a eleição em um campo político neutro. Ela está inserida em uma composição de direita, justamente o segmento em que as críticas ao STF e a Gilmar Mendes ganharam maior força nos últimos anos.

A candidatura de Janaína Riva pelo MDB está oficialmente inserida na disputa ao Senado por Mato Grosso. Agora, aquilo que poderia ficar restrito ao protocolo e às gentilezas de um evento institucional pode virar munição — para adversários, aliados e, principalmente, para o eleitor.

No fim, a questão é menos sobre uma homenagem feita há mais de um ano e mais sobre o que ela significa hoje.

Para uma candidata que pede o voto da direita, os elogios a Gilmar Mendes deixaram de ser apenas uma lembrança de evento. Viraram uma pergunta eleitoral.

E caberá a Janaína dizer se aqueles elogios continuam de pé, e ao eleitor mato-grossense decidir o que fazer com a resposta.

Fonte: gazetamt

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