Advogado previdenciarista Ubiratãn Dias explica quais informações devem ser conferidas no histórico do segurado e quando uma revisão pode ser necessária
O valor da aposentadoria pode ser afetado por informações incorretas ou incompletas no histórico previdenciário do trabalhador. Períodos de contribuição ausentes, salários registrados com valores incorretos, vínculos empregatícios não considerados e outras divergências podem interferir no cálculo realizado pelo INSS.
Por isso, conferir os dados utilizados na concessão do benefício pode ser uma medida importante para identificar possíveis erros e verificar se existe fundamento para uma revisão.
Segundo o advogado previdenciarista Ubiratãn Dias, alguns problemas podem passar despercebidos no momento em que a aposentadoria é concedida e só serem identificados posteriormente, durante uma análise detalhada do histórico profissional e previdenciário.
“O segurado não deve considerar que o cálculo apresentado pelo INSS está necessariamente correto. É importante conferir o histórico de contribuições, os períodos trabalhados e os salários considerados na concessão. Dependendo do caso, uma informação que deixou de ser computada pode fazer diferença no valor final do benefício.”
Quais erros podem afetar o cálculo da aposentadoria?
Entre os principais pontos que merecem atenção estão cinco situações que podem gerar divergências no cálculo do benefício.
1. Períodos de contribuição que não aparecem no CNIS
Um dos problemas mais comuns que devem ser verificados é a ausência de períodos de contribuição no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS).
Se determinado período trabalhado ou contribuição não estiver registrado corretamente, ele pode deixar de ser considerado na análise do benefício.
Por isso, é importante conferir se todo o histórico profissional aparece de maneira correta no cadastro previdenciário e se existem documentos que possam comprovar eventuais períodos ausentes.
2. Salários de contribuição registrados com valores incorretos
Outro ponto que merece atenção são os salários de contribuição registrados no histórico previdenciário.
Informações incorretas sobre os valores recebidos pelo trabalhador podem interferir no cálculo utilizado para definir o valor da aposentadoria.
A conferência dos salários registrados é especialmente importante quando existem divergências entre os valores constantes no histórico previdenciário e os documentos que comprovam a remuneração recebida durante o período trabalhado.
3. Vínculos empregatícios que não foram considerados
Também é necessário verificar se todos os vínculos de trabalho foram corretamente registrados e considerados.
Períodos em que o segurado trabalhou, mas que não aparecem no histórico ou apresentam alguma inconsistência, podem gerar divergências no tempo de contribuição e no cálculo do benefício.
“Um dos principais erros é confiar apenas no resultado final sem conferir de onde aquele cálculo veio. O segurado precisa verificar se todos os vínculos e contribuições estão registrados corretamente e se as regras aplicadas são realmente as que correspondem à sua trajetória profissional”, explica Ubiratãn Dias.
4. Atividades concomitantes
Quem exerceu mais de uma atividade profissional ao mesmo tempo também deve verificar como esses períodos foram considerados no cálculo.
As chamadas atividades concomitantes podem exigir uma análise específica para verificar se as informações foram utilizadas corretamente e de acordo com as regras aplicáveis ao caso.
Por isso, trabalhadores que tiveram mais de um vínculo ou exerceram atividades simultâneas devem ter atenção redobrada ao analisar o histórico previdenciário.
5. Períodos especiais e outros tipos de tempo de contribuição
Períodos especiais e outras modalidades de tempo de contribuição também podem exigir uma análise individualizada.
Nesses casos, é necessário verificar se as informações foram devidamente reconhecidas e consideradas no cálculo do benefício, de acordo com a documentação e as características da atividade exercida.
A existência de um período que possa ter tratamento previdenciário específico não significa, por si só, que haverá aumento da aposentadoria. É necessário analisar cada situação e verificar se há fundamento para a correção.
Todo aposentado tem direito à revisão do benefício?
Não. A revisão da aposentadoria não significa que todo benefício terá direito a um aumento.
Para que uma revisão seja possível, é necessário identificar uma inconsistência no cálculo ou na documentação utilizada para a concessão e verificar se a correção pode produzir algum efeito no valor ou no próprio direito ao benefício.
“Revisar não significa simplesmente pedir para o INSS aumentar a aposentadoria. É preciso encontrar um erro concreto, reunir a documentação e fazer uma análise técnica para verificar se existe fundamento para a revisão e qual seria o impacto financeiro”, afirma o advogado.
Quem ainda não se aposentou também deve conferir o histórico
A análise do histórico previdenciário não precisa acontecer somente depois da concessão da aposentadoria.
Para quem ainda está planejando se aposentar, identificar possíveis divergências com antecedência pode permitir a correção de informações antes do pedido do benefício.
Dessa forma, o segurado evita levar um histórico incompleto ou com informações inconsistentes para a análise do INSS.
“Quanto antes o segurado identificar uma inconsistência, melhor. Quem ainda vai se aposentar pode ter a oportunidade de corrigir o histórico antes do pedido. Quem já recebe o benefício também pode analisar se houve algum erro na concessão, sempre observando as regras e os prazos aplicáveis a cada situação.”
Quais documentos podem ajudar na análise?
A orientação é reunir documentos capazes de comprovar os períodos trabalhados, vínculos empregatícios e contribuições, além de conferir cuidadosamente o histórico previdenciário.
A documentação necessária pode variar de acordo com a situação de cada segurado. Por isso, uma análise individualizada é importante antes de tomar qualquer decisão sobre um eventual pedido de revisão.
Revisão do INSS exige análise individual
A aposentadoria representa uma renda que pode acompanhar o trabalhador durante muitos anos. Por isso, conferir se o benefício foi calculado corretamente pode ser uma importante medida de planejamento previdenciário.
“A aposentadoria representa uma renda que pode acompanhar o trabalhador por muitos anos. Por isso, conferir se o benefício foi calculado corretamente é uma medida de cuidado e planejamento. Em caso de dúvida, o ideal é fazer uma análise individualizada antes de tomar qualquer decisão”, orienta Ubiratãn Dias.
Importante: cada caso previdenciário possui características próprias, e a possibilidade de revisão depende da análise do histórico do segurado, da documentação disponível, das regras aplicáveis e dos prazos previstos na legislação.





