A mudança na data da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá, aprovada nesta terça-feira (18), deu novo fôlego às articulações da presidente Paula Calil (PL) para tentar permanecer no comando do Legislativo no biênio 2027-2028. Com a votação transferida de 25 de agosto para 6 de outubro, a parlamentar ganhou 42 dias a mais para enfrentar dois obstáculos: tornar sua candidatura juridicamente possível e reunir os votos necessários para vencer a disputa.
O texto altera o artigo 23 do Regimento Interno e estabelece que a eleição para os dois anos subsequentes seja realizada na primeira terça-feira após as eleições gerais, com posse em 1º de janeiro. Na justificativa, o vereador Mario Nadaf (PV), autor da proposta, sustenta que a mudança busca aproximar a escolha da nova Mesa do fim do atual biênio e evitar antecipações excessivas, diante de recentes entendimentos do Supremo Tribunal Federal.
A mudança de calendário vinha sendo discutida há meses e ganhou força diante do risco de questionamentos judiciais caso a eleição permanecesse marcada para agosto. A preocupação aumentou após a anulação da eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, episódio usado pelos vereadores de Cuiabá como parâmetro para buscar maior segurança jurídica.
Para Paula, no entanto, adiar a disputa resolve apenas parte do problema. O atual Regimento Interno proíbe a recondução consecutiva para o mesmo cargo, o que significa que uma nova alteração ainda terá de ser aprovada para que ela possa efetivamente registrar uma chapa à presidência. Pelas regras hoje vigentes na Câmara, mudanças dessa natureza dependem do apoio de dois terços dos 27 vereadores, ou seja, 18 votos.
É justamente nesse ponto que outubro se torna politicamente mais confortável para a presidente. Além de ampliar o prazo para negociar individualmente com os parlamentares, a nova data empurra a definição da Mesa para depois de setembro, quando está previsto o julgamento de uma ação que questiona o quórum de dois terços exigido pela Câmara. Uma eventual alteração desse entendimento pode mexer diretamente na matemática necessária para uma mudança regimental e, consequentemente, na pretensão de Paula.
A presidente já vem trabalhando para construir sua candidatura, enquanto o vereador Ilde Taques (Podemos) também articula apoio para comandar a Casa. Antes do adiamento, nenhum dos grupos demonstrava ter consolidado os 18 votos necessários para impor sua posição nas principais mudanças envolvendo a disputa.
O adiamento, portanto, dá tempo aos dois lados, mas tem peso especial para Paula. Enquanto seus adversários precisam essencialmente consolidar uma maioria, a atual presidente ainda precisa mudar a regra do jogo antes de entrar oficialmente nele. Agora, terá pouco mais de um mês adicional para tentar fazer as duas coisas.
Fonte: leiagora





