– Presa desde 2024, a cirurgiã-dentista Mara Kenia Dier Lucas, de Cuiabá, teve mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a condenação a 16 anos e oito meses de prisão, em regime fechado, por tráfico de drogas e associação para o tráfico. A decisão é do ministro Messod Azulay Neto e foi publicada nesta segunda-feira (17).
Mara Kenia foi presa em maio de 2024 durante a Operação Escamotes, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um grupo investigado por movimentar grandes quantidades de drogas e armas entre Mato Grosso e outros estados.
A dentista é esposa do empresário Flávio Henrique Lucas, apontado nas investigações como líder da organização criminosa. Ele também foi condenado pela Justiça e permanece preso.
Em fevereiro de 2025, Mara Kenia havia sido sentenciada pela 1ª Vara Criminal de Barra do Garças a 21 anos de reclusão, em regime fechado, pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Posteriormente, após recurso apresentado pela defesa, a pena foi reduzida para 16 anos e oito meses de prisão, mas foram mantidos o regime inicial fechado e o pagamento de 2.466 dias-multa.
A defesa levou o caso ao STJ sustentando a existência de nulidades no processo. Entre os argumentos apresentados estavam a suposta falta de individualização das condutas e das penas, além da alegação de insuficiência de provas para sustentar a condenação da dentista.
Ao analisar o pedido, Messod Azulay Neto entendeu, em um primeiro momento, que não ficou demonstrada ilegalidade ou situação de constrangimento ilegal que justificasse a concessão imediata da medida solicitada pela defesa.
O ministro ponderou, porém, que os questionamentos levantados pelos advogados exigem uma avaliação mais aprofundada dos elementos do processo. Por isso, requisitou informações ao juízo de primeira instância e determinou o encaminhamento dos autos ao Ministério Público Federal (MPF) para manifestação.
O esquema
A investigação que resultou na Operação Escamotes começou em agosto de 2023, após uma pessoa ser presa em flagrante transportando cerca de 40 quilos de drogas escondidos em um fundo falso de um veículo.
A apreensão levou os investigadores a aprofundarem as apurações e identificarem outros integrantes e os supostos responsáveis pelo comando do esquema.
Segundo as investigações, o grupo teria sido responsável pelo transporte de toneladas de entorpecentes, além de armas de fogo de uso permitido e restrito, destinadas a diferentes estados do país.
Durante a operação, foram cumpridos 21 mandados judiciais, entre ordens de busca e apreensão e prisões preventivas, expedidos pela Justiça de Mato Grosso.
As ações ocorreram em Cuiabá e Várzea Grande, em Mato Grosso, além de Vitória da Conquista (BA) e Hidrolândia (GO).
Fonte: odocumento





