A Justiça de Mato Grosso homologou o pedido de arquivamento parcial da Operação Safra Desviada em relação ao empresário Nadim Makari, à sua esposa Cláudia Angélica Martins Makari, e às empresas Sorriso Indústria Têxtil Ltda. e Fibra Cotton Investimentos e Participações Ltda.
A decisão foi proferida pela juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, atuando pelo Juízo das Garantias, após manifestação do Ministério Público atestar que a documentação apresentada pela defesa comprovou a lisura e a origem lícita das operações comerciais investigadas, afastando qualquer suspeita de envolvimento no esquema.
Origem do caso e comprovação de legalidade
Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a Operação Safra Desviada apura um esquema de desvio de grãos e commodities que teria provocado prejuízos estimados em R$ 140 milhões ao Grupo Lermen e outras empresas do setor agrícola.
O empresário e suas empresas haviam sido incluídos no escopo da investigação após a identificação de transações financeiras direcionadas a contas ligadas à esposa de Joseandro Gomides da Cruz Lima, colaborador do Grupo Lermen que era encarregado das comercializações de algodão e do recebimento dos pagamentos das safras.
Durante a instrução do inquérito, os advogados de defesa juntaram contratos de compra e venda de algodão, notas fiscais, romaneios de entrega, conhecimentos de transporte rodoviário e comprovantes de transferência bancária. Diante das provas materiais, o Ministério Público reconheceu que os documentos atestavam a efetiva circulação das mercadorias e que os pagamentos efetuados pelas empresas de Makari correspondiam a negócios legítimos.
Em depoimento prestado à polícia, Joseandro confessou a prática dos desvios de recursos da empresa vítima, admitindo que direcionava os pagamentos de cessões de crédito para contas de sua esposa e em benefício próprio. Com isso, a magistrada apontou a total ausência de indícios de dolo, conluio ou participação dos quatro investigados nas fraudes, determinando a exclusão imediata deles do polo passivo da investigação e o levantamento de todas as restrições patrimoniais e bloqueios de contas bancárias.
Desdobramentos e continuidade das apurações
Apesar do descarte da suspeita sobre o empresário e seu grupo empresarial, a Operação Safra Desviada segue em andamento para apurar a conduta dos demais investigados. A Justiça concedeu uma prorrogação de 120 dias para que o Gaeco finalize a análise pericial e a triagem de 65 dispositivos eletrônicos apreendidos, que incluem smartphones, notebooks e tablets.
Segundo o órgão ministerial, o volume de dados coletados abrange cerca de seis anos de movimentações financeiras, exigindo rigorosos procedimentos de filtragem para resguardar sigilos e dados particulares de terceiros.
Em suas fases ostensivas, a operação cumpriu 180 ordens judiciais em estados como Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão, abrangendo 80 mandados de busca e apreensão, bloqueios financeiros superiores a R$ 140 milhões de 56 alvos, além do sequestro de mais de 70 veículos e indisponibilidade de bens imóveis, no âmbito de apurações sobre organização criminosa, furto qualificado, estelionato, lavagem de dinheiro e crimes fiscais.
Fonte: cenariomt





